Os preços definidos pelo governo federal para o principal leilão de geração de energia elétrica de 2026 foram recebidos de forma negativa por investidores e analistas, que avaliam risco de baixa participação no certame marcado para 18 de março.
Segundo o mercado, as remunerações previstas ficaram entre 20% e quase 50% abaixo das projeções, o que pode inviabilizar a construção de novas usinas térmicas e comprometer a operação de parte das já existentes.
Entidades de grandes consumidores, por outro lado, defendem que os valores estão alinhados ao histórico de leilões e ajudam a conter custos para a indústria e o comércio.
O leilão trata da chamada reserva de capacidade, mecanismo que garante usinas disponíveis para gerar energia nos momentos de maior demanda, especialmente no início da noite, quando a geração solar cai e o consumo aumenta.
O tema é especialmente relevante para o Rio Grande do Norte, líder nacional em geração de energia eólica e com forte crescimento da energia solar. O estado responde por cerca de um terço da produção eólica do país e tem matriz quase totalmente renovável.
Especialistas alertam que essa característica aumenta a dependência de fontes de backup para garantir estabilidade do sistema, sobretudo em períodos de pouco vento ou à noite.
Com preços considerados baixos, analistas veem risco de o leilão ter baixa adesão, o que pode levar o governo a adotar soluções emergenciais mais caras no futuro.
Para o RN, o resultado do certame é estratégico não apenas para a segurança do sistema, mas também para a manutenção de investimentos, empregos e da posição do estado como referência nacional na transição energética.