O Rio de Janeiro é um local realmente muito especial. Além de ser um dos lugares mais bonitos do mundo é também um dos mais resilientes. Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu pela cassação do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, condenado junto com o governador Claudio Castro por abuso do poder político e econômico, que já havia sido preso no âmbito das investigações sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, da Polícia Federal.
Desde o fim dos anos 1990, todos os governadores eleitos do Rio passaram pela prisão ou foram implicados em escândalos de corrupção. Praticamente todos os governadores fluminenses enfrentaram algum tipo de ruptura institucional, seja por prisão, cassação, afastamento ou renúncia estratégica para evitar desfechos mais graves.
O caso mais recente foi o do ex-governador Cláudio Castro, que renunciou ao cargo em meio ao processo no TSE por abuso de poder nas eleições de 2022. A saída antecipada evitou a cassação formal, mas não impediu que o TSE o deixasse inelegível e nem o aprofundamento do vácuo político que agora volta a se manifestar.
Antes dele, o Rio já havia protagonizado uma sequência que se tornou emblemática no país.
O ex-governador Wilson Witzel foi afastado e posteriormente sofreu impeachment em 2021, acusado de corrupção na área da saúde durante a pandemia.
Seu antecessor, Luiz Fernando Pezão, foi preso ainda no exercício do mandato, em 2018, acusado de integrar esquemas de corrupção que remontavam ao governo anterior.
Esse governo anterior era o de Sérgio Cabral, preso desde 2016 e condenado em diversos processos, com penas que ultrapassam duas centenas de anos.
O ciclo se estende ainda mais para trás. Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, que governaram o estado entre 1999 e 2006, também foram presos em diferentes operações após deixarem o cargo.
Há exceções pontuais, como Benedita da Silva e Nilo Batista, que assumiram como vices em contextos de transição e não foram alvo de investigações ou prisões. Esse histórico ajuda a entender por que cada nova crise institucional no estado ganha dimensão ampliada.
A eventual eleição de um novo presidente da Alerj, que deverá assumir o governo e conduzir uma eleição indireta, mostra como o Rio vive de soluções emergenciais para mandatos interrompidos.
Mas, apesar disso tudo, o Rio de Janeiro continua lindo