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O que o projeto bilionário de IA pode mudar na economia do RN

O anúncio da instalação de um supercomputador de inteligência artificial em Macaíba, ao custo de R$ 1,06 bilhão, traz para o Rio Grande do Norte uma oportunidade para que o Estado encontre um novo nicho para o seu desenvolvimento econômico. Embora a operação da estrutura não deva gerar grande volume de empregos diretos, o potencial impacto econômico está na capacidade de atrair empresas, pesquisadores, investimentos e novos negócios ligados à economia digital. O projeto coloca o estado na infraestrutura nacional de computação científica e abre caminho para a formação de um polo de inovação voltado à inteligência artificial. Isso implica dizer que, depende do próprio RN, criar o seu próprio "Porto Digital", como fez Pernambuco há algunas anos. 

Com capacidade de processamento de 7.200 petaflops e mais de 50 mil núcleos computacionais, o equipamento será um dos mais poderosos do mundo para aplicações de IA e ficará disponível para universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos, startups e empresas privadas. A previsão é de que a estrutura entre em operação até o final de 2027.

A escolha de Macaíba também não ocorreu por acaso. O supercomputador será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX-RN), um ambiente criado justamente para aproximar universidades, setor produtivo e governos. O parque reúne instituições como UFRN, IFRN, UERN, Fiern e Sebrae e foi concebido para estimular inovação, pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e atração de empreendimentos de base tecnológica.

Na prática, a chegada da nova infraestrutura pode ampliar a capacidade do estado de competir por investimentos em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, ciência de dados, saúde digital, energias renováveis, indústria 4.0 e desenvolvimento de software. Empresas que dependem de grande capacidade computacional para pesquisa e desenvolvimento passam a enxergar o RN como uma alternativa para expansão ou instalação de operações. 

Outro aspecto considerado estratégico é a integração com o ecossistema tecnológico já existente. O Rio Grande do Norte abriga o Instituto Metrópole Digital e o Metrópole Parque, ligados à UFRN, que reúnem mais de 150 empresas de tecnologia e constituem uma das principais redes de inovação do Nordeste. A nova estrutura pode fortalecer esse ambiente e impulsionar a criação de startups e projetos de base tecnológica. 

O projeto federal também prevê contrapartidas que vão além da compra da máquina. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o edital inclui transferência de tecnologia, estímulo à participação de fornecedores brasileiros, pesquisa e desenvolvimento e a capacitação de 5 mil pessoas em cinco anos. A medida busca ampliar a formação de mão de obra qualificada para um setor que enfrenta escassez de profissionais em todo o país. 

A operação ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), vinculada ao governo federal. Isso significa que o Rio Grande do Norte passará a integrar a infraestrutura nacional de computação científica, estratégica para pesquisas científicas e desenvolvimento de aplicações avançadas de inteligência artificial, consolidando uma posição que historicamente esteve concentrada nas regiões Sul e Sudeste.

A escolha do Estado também levou em conta a disponibilidade de energia renovável, mas enfrenta dificuldades no escoamento dessa energia. Em 2025, o RN perdeu aproximadamente 24% de toda a sua capacidade de geração renovável disponível, foi o que mais sofreu restrições na fonte eólica em todo o país, pois possui uma capacidade instalada de 10,6 GW nesta matriz. No segmento solar, ocupou a quarta posição em volume de cortes. O que significou um prejuízo R$ 2,24 bilhões. A solução para este problema que tem desestimulado novos investimentos  passa necessariamente por novas linhas de distribuição, mas também pela atração de empresas e empreendimentos que demandam maior volume local de energia, como é o caso do supercomputador e seu entorno.

O desafio, agora, será transformar a presença do supercomputador em desenvolvimento econômico concreto, aproveitando a oportunidade de construir um ambiente capaz de atrair empresas, talentos e investimentos. 


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