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Ceará avança com ITA e data center bilionário e se consolida como polo tecnológico

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica anunciou a implantação de um campus em Fortaleza, com investimentos públicos estimados em centenas de milhões de reais, em mais um passo do Ceará para se consolidar como polo de tecnologia no Nordeste. A iniciativa reforça uma estratégia que combina formação de mão de obra qualificada com atração de grandes empreendimentos privados, criando um ambiente mais competitivo para a economia digital.

No Complexo do Pecém, o Estado também concentra um dos maiores projetos recentes do setor no país, com a construção de um data center de grande porte voltado à operação da ByteDance, controladora do TikTok. O empreendimento tem investimento inicial de cerca de R$ 11 bilhões apenas em infraestrutura e pode alcançar até R$ 200 bilhões ao longo dos próximos anos, considerando a instalação de equipamentos tecnológicos e expansão da operação.

Com potência prevista de 200 megawatts, o projeto será abastecido por energia renovável e operará com baixa latência, beneficiado pela proximidade com cabos submarinos de dados. A combinação entre energia limpa, conectividade internacional e incentivos fiscais na Zona de Processamento de Exportação do Pecém tem sido decisiva para atrair empresas globais de tecnologia e posicionar o Ceará como um hub emergente para atividades ligadas à computação em nuvem, inteligência artificial e armazenamento de dados.

Esse movimento ocorre em paralelo à consolidação de uma infraestrutura estratégica que inclui uma das principais redes de cabos submarinos do país, reduzindo o tempo de resposta no tráfego de dados e ampliando a confiabilidade das operações digitais. Na prática, o Estado passa a reunir, de forma integrada, os principais requisitos exigidos por grandes empresas do setor para a instalação de operações de alta escala.

RN ainda sem projetos estruturantes

No Rio Grande do Norte, apesar do potencial energético e da localização estratégica, os avanços ainda são mais limitados e não se traduziram, até agora, em projetos estruturantes de grande porte. O Estado não possui data centers de grande escala em operação e ainda busca estruturar políticas capazes de atrair esse tipo de investimento.

Entre as iniciativas existentes está a atuação do Instituto Metrópole Digital, da UFRN, que conta com um supercomputador voltado à pesquisa científica e à formação de profissionais, com impacto relevante no ambiente acadêmico, mas ainda restrito quando comparado a empreendimentos industriais. O Rio Grande do Norte também tenta atrair um dos supercomputadores previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com investimento estimado em até R$ 1,8 bilhão, mas o projeto permanece em fase de articulação.

Enquanto o Ceará integra educação, infraestrutura e incentivos em uma estratégia consistente de longo prazo, o Rio Grande do Norte ainda avança de forma mais fragmentada, com dificuldade de atrair investimentos de maior escala e se posicionar de forma na economia digital.


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