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O buraco é estadual, o desgaste é municipal

Existe uma armadilha administrativa em Natal que, entra e sai governo, e continua em pauta. Esta semana o candidato do PL, Álvaro Dias, prometeu que irá recuperar as vias estaduais que atravessam a cidade, em especial as da zona Norte. A promessa se repete a cada quatro anos. Normalmente, prefeitos são invariavelmente cobrados pela população por problemas que, na prática, não têm poder para resolver.

A situação das avenidas João Medeiros Filho, Roberto Freire e da Via Costeira se somam ao que acontece no complexo Moema Tinoco/Conselheiro Tristão que até hoje, passados mais de 20 anos, não foi concluído. Embora estejam dentro da cidade e façam parte da rotina de milhares de natalenses, elas pertencem ao Governo do Estado. Quando surgem buracos, problemas de drenagem ou necessidade de recuperação do pavimento, a população naturalmente procura o responsável mais visível: a Prefeitura.

Vi esse mesmo filme quando Wilma de Faria era prefeita e Fernando Freire governador. Os dois disputaram o Governo do Estado em 2002 e a situação dessas vias já produzia atritos políticos. Depois, quando Wilma chegou ao governo estadual, o problema reapareceu na relação com o então prefeito Carlos Eduardo, seu aliado político.

Mudaram os ocupantes dos cargos, mas a origem do conflito permaneceu exatamente a mesma. Wilma, que sentiu a pressão quando prefeita, também não resolveu o problema como governadora. Não porque não quisesse, mas porque o caixa é pouco e a prioridade acaba se deslocando para estradas estaduais do interior, onde a cobrança recai diretamente sobre o chefe do executivo estadual.

No caso das vias que atravessam Natal, o desgaste político fica com quem está mais próximo da população, enquanto a responsabilidade administrativa permanece em outra esfera de governo. Quem mora em Natal não diferencia uma avenida municipal de uma estadual. O cidadão vê apenas a rua esburacada e cobra providências.

Foi exatamente esse cenário que Álvaro Dias enfrentou durante sua gestão. As reclamações sobre a João Medeiros Filho e a Moema Tinoco eram constantes, especialmente na Zona Norte. O então prefeito transformou a questão em uma disputa pública com o governo estadual. Em determinado momento, aliados chegaram a instalar placas na João Medeiros Filho, na Roberto Freire, na Moema Tinoco e na Via Costeira informando que aquelas vias estavam sob responsabilidade do Estado.

A iniciativa foi criticada por adversários, mas tinha um objetivo de informar à população quem detinha a competência legal para executar as intervenções. Afinal, poucos moradores sabem que algumas das avenidas mais importantes de Natal não pertencem ao município.

Mais de vinte anos depois dos primeiros embates, o problema continua atual. Governadores e prefeitos mudaram. As vias permaneceram as mesmas. E a conta política continua chegando primeiro ao gabinete do prefeito.

 


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