A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, o jornal norte-americano The New York Times colocou a disputa brasileira no centro do debate ambiental global. Em reportagem publicada neste fim de semana, o periódico afirma que o resultado das urnas poderá influenciar diretamente o futuro da Amazônia e os esforços internacionais para conter o desmatamento.
A análise destaca que a maior floresta tropical do planeta não é importante apenas para o Brasil. A Amazônia armazena bilhões de toneladas de carbono, ajuda a regular o regime de chuvas em toda a América do Sul e é considerada peça-chave no combate às mudanças climáticas. Por isso, segundo o jornal, as decisões do próximo presidente terão repercussões muito além das fronteiras brasileiras.
Em uma segunda reportagem, assinada pelo chefe da sucursal do jornal no Brasil, Adam Ellick, o New York Times analisa a mudança política observada nos estados amazônicos. O texto sustenta que a esquerda perdeu força na região mesmo após obter resultados expressivos na redução do desmatamento, porque não conseguiu transformar a preservação ambiental em uma agenda capaz de gerar desenvolvimento econômico e renda para a população local.
O jornal observa que ações de fiscalização e combate a atividades ilegais contribuíram para derrubar o desmatamento a níveis recordes, mas muitas comunidades afetadas não receberam alternativas econômicas sustentáveis. Esse cenário teria alimentado um sentimento de insatisfação e fortalecido candidaturas alinhadas ao campo conservador em diversos municípios amazônicos.
A publicação americana avalia que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro é acompanhada com atenção por ambientalistas, investidores e governos estrangeiros. O motivo é simples: o Brasil abriga a maior parte da Amazônia e qualquer mudança significativa na política ambiental do país pode afetar metas globais de preservação e redução de emissões.
Para o New York Times, a eleição brasileira tornou-se uma das mais relevantes do mundo quando o assunto é meio ambiente. Mais do que escolher o próximo ocupante do Palácio do Planalto, os eleitores decidirão qual direção será adotada para uma região considerada estratégica para o equilíbrio climático do planeta.