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Nordeste atrai energia do futuro

O Nordeste deverá ampliar seu papel como principal polo da transição energética brasileira na próxima década. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036 projeta novos investimentos em geração renovável, linhas de transmissão, hidrogênio verde e data centers, setores que podem abrir oportunidades para estados como o Rio Grande do Norte.

Atualmente em consulta pública, o PDE 2036 reúne as projeções do governo federal para a expansão da matriz energética brasileira na próxima década e servirá de referência para investimentos em geração, transmissão, combustíveis e infraestrutura energética.

O documento prevê a expansão de 14 gigawatts (GW) de capacidade eólica e outros 8,5 GW de geração solar centralizada até 2036. Como o Nordeste concentra grande parte do potencial brasileiro para essas fontes, a região tende a continuar recebendo os principais investimentos do setor.

O PDE 2036 também projeta uma transformação na forma de operação do sistema elétrico brasileiro. Segundo o documento, o país poderá contar com mais de 13 gigawatts (GW) de flexibilidade operativa até 2036, resultado da expansão de sistemas de armazenamento por baterias, usinas hidrelétricas reversíveis e mecanismos de resposta da demanda, nos quais grandes consumidores ajustam seu consumo de energia conforme a necessidade da rede. A medida é considerada estratégica para aumentar a segurança do sistema diante do crescimento da geração eólica e solar.

Além da produção de energia, o plano aponta a necessidade de ampliar a infraestrutura de transmissão para escoar a eletricidade gerada pelos parques eólicos e solares nordestinos para outras regiões do país. Entre os projetos estratégicos está o Bipolo Nordeste II, considerado fundamental para aumentar a capacidade de intercâmbio de energia no Sistema Interligado Nacional.

A expansão da transmissão é uma demanda especialmente importante para o Rio Grande do Norte. Nos últimos anos, geradores de energia renovável enfrentaram restrições operacionais decorrentes da limitação da rede elétrica, situação que levou a cortes temporários na geração de parte dos parques.

Outro destaque do PDE é a expectativa de crescimento dos data centers, impulsionados pela inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais. O estudo indica que o Nordeste reúne condições favoráveis para receber uma parcela relevante desses investimentos graças à combinação de energia renovável abundante e à proximidade com cabos submarinos de comunicação que ligam o Brasil ao exterior.

O avanço dos data centers pode representar uma nova fronteira econômica para a região. Além de consumir grandes volumes de energia limpa, essas estruturas atraem investimentos em tecnologia, telecomunicações e qualificação profissional.

O plano também projeta o crescimento gradual da produção de hidrogênio de baixo carbono, considerado uma das apostas para a descarbonização da indústria e do transporte pesado. Estados nordestinos vêm disputando projetos nessa área, aproveitando a oferta de energia renovável necessária para o processo de eletrólise.

Na área de combustíveis renováveis, o PDE prevê avanço da produção nacional de biometano, combustível obtido a partir de resíduos orgânicos e com potencial para substituir parcialmente o gás natural em usos industriais e veiculares.

De acordo com as projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de eletricidade no Nordeste deverá crescer acima da média nacional até 2036, refletindo a expansão econômica, a digitalização de atividades produtivas e a instalação de novos empreendimentos intensivos em energia.

 


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