Faltando uma semana para as eleições, a Justiça do RN decidiu conceder liberdade ao ex-policial militar Wendel Lagartixa. O juiz Rafael Barbosa da Cunha, da 2ª Vara Criminal de Natal, revogou a prisão preventiva do ex-PM, que agora poderá aguardar em liberdade o julgamento pelo Tribunal do Júri, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Wendel responde a um processo envolvendo a acusação de três homicídios qualificados e três tentativas de homicídio, fatos ocorridos em abril de 2022, no bairro da Redinha, na Zona Norte de Natal. Ao justificar a decisão, o magistrado apontou que parte dos fundamentos anteriormente utilizados para manter a prisão perdeu eficácia ao longo da tramitação dos processos.
Mesmo solto, Wendel terá de usar tornozeleira eletrônica, está proibido de utilizar redes sociais e não poderá participar nem se manifestar em eventos ou propagandas político-partidárias. O descumprimento das determinações poderá resultar em uma nova prisão preventiva.
A soltura reacende o debate em torno da trajetória política de Wendel Lagartixa. Em 2022, ele foi o candidato a deputado estadual mais votado do Rio Grande do Norte, com mais de 88 mil votos, mas acabou impedido de assumir a vaga após o Tribunal Superior Eleitoral manter o indeferimento de sua candidatura.
O capital político construído por Wendel acabou sendo herdado parcialmente pela filha, Anne Lagartixa, que foi eleita vereadora de Natal nas eleições de 2024 pelo Solidariedade. Durante a campanha e já no exercício do mandato, Anne se apresentou como defensora do pai e de suas bandeiras políticas, principalmente junto ao eleitorado da Zona Norte da capital, mas não conseguiu a mesma projeção do pai visto em parte do eleitorado como uma espécie de justiceiro.
Este ano, a vereadora disputa uma vaga na Assembleia Legislativa com o mote de ocupar o espaço que, segundo ela, deveria ter sido exercido pelo pai após a eleição de 2022. Agora, Anne poderá contar nessa reta final com a presença do pai na sua campanha.
Enquanto Wendel conquista o direito de responder ao processo em liberdade, o corréu João Maria da Costa Peixoto, conhecido como João Grandão, permanece preso por decisão da Justiça, diante da avaliação de risco de reiteração criminosa e da existência de outro processo em tramitação na Justiça Federal.