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Gigante chinesa fecha parceria com a Moura para disputar leilão de baterias

A fabricante chinesa de baterias CATL, maior produtora mundial de baterias de íons de lítio, firmou uma parceria estratégica com a brasileira Moura para participar do primeiro leilão de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento de energia do país. A aliança mira especialmente a disputa prevista para 2 de dezembro, destinada a projetos que atendam exigências de conteúdo local definidas pelo governo federal. 

O acordo foi anunciado durante a feira The Smarter E South America 2026, realizada em São Paulo, e combina a tecnologia de armazenamento da CATL com a experiência industrial e a presença da Moura no mercado brasileiro. Segundo as empresas, a parceria também conta com um terceiro agente estratégico, líder nacional em sistemas de conversão de potência e inversores, para viabilizar uma solução enquadrada nas regras de nacionalização previstas no certame.

A parceria foi feita em meio à corrida de fabricantes internacionais para garantir espaço no mercado brasileiro de armazenamento de energia, impulsionado pela realização do primeiro leilão específico para baterias do país. O certame recebeu cadastramento recorde, superando 296 GW em projetos inscritos, o que demonstra o interesse do setor na nova tecnologia.

Embora o Brasil ainda não possua produção local de células de baterias em escala comercial, as regras do leilão permitem a importação desse componente, exigindo a nacionalização de etapas como montagem dos sistemas, integração dos equipamentos, softwares de gerenciamento e demais componentes da infraestrutura. É justamente nesse nicho que a parceria entre CATL e Moura pretende atuar. 

A companhia chinesa afirma deter cerca de 45% de participação no segmento de armazenamento de energia no país e já fornece tecnologia para projetos de grande porte, incluindo o sistema de armazenamento por baterias instalado pela ISA Energia Brasil na subestação de Registro (SP), apontado como um dos primeiros projetos de larga escala da tecnologia no sistema elétrico nacional. 

Além da disputa reservada a projetos com conteúdo local, o governo realizará um segundo leilão em 4 de dezembro, aberto a empreendimentos sem exigência de nacionalização. A expectativa é que a contratação de baterias contribua para aumentar a segurança operativa do sistema elétrico brasileiro, sobretudo em um cenário de expansão acelerada das fontes renováveis, como solar e eólica, cuja geração depende das condições climáticas. 

Apesar do anúncio da parceria, CATL e Moura não divulgaram valores de investimentos nem detalhes sobre eventuais ampliações industriais para produção dos sistemas no Brasil. O foco imediato das empresas é estruturar uma oferta competitiva para atender às exigências do leilão e disputar uma fatia do mercado que começa a se formar no país. 


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Heverton de Freitas