Abertas as urnas apuradas os resultados o que se viu foi muita surpresa na eleição majoritária no Rio Grande do Norte e pouca coisa diferente do esperado na eleição proporcional.
O novo PT
A deputada Natália Bonavides que vai se consolidando com a principal liderança do PT na nova geração já destronou Fernando Mineiro que por anos disputou com Fátima Bezerra o comando do partido. Ela ainda não tem a força de Fátima Bezerra, tanto que, apesar dos 215 mil votos, não conseguiu a meta de se tornar a federal mais votada da história do Estado. Nas eleições de 2010, Fátima foi eleita federal com 220 mil votos.
Fátima mostra sua força
Além disso, a governadora Fátima Bezerra mostrou toda a sua força política e elegeu Samanda Alves, sua fiel escudeira senadora da República, partindo do zero, já que era vereadora em Natal e assumiu a disputa depois que Fátima ouviu o conselho de Lula e desistiu de disputar o Senado para não entregar o governo a um adversário. Com isso, Fátima Bezerra, embora não esteja lá fisicamente, mantém um voto estratégico no Senado.
Além disso, ela ainda mantém a esperança, pelo menos até dia 25, de uma virada de Lula o que lhe garantia um espaço na esplanada dos ministérios, ainda mais depois de eleger a senadora e colocar o candidato a governador no segundo turno.
Rivaldo Fernandes, fortalecido no PV
Outro que saiu fortalecido internamente no seu partido foi o presidente do PV, Rivaldo Fernandes, o partido que é um nanico em termos nacional fez dois deputados federais de um total de 7 eleitos nacionalmente. É bom lembrar que o fundo partidário é calculado de acordo com a bancada federal eleita. Ele também montou uma nominata para estadual que elegeu os deputados Eudiane Macedo, Ivanilson Oliveira e Kaline de Dr Bernardo.
PL derrota local, vitória nacional
Vitorioso no pleito nacional com a maior bancada de senadores e na Câmara dos Deputados, o PL teve uma grande derrota no RN. Além de Álvaro Dias não ir nem para o segundo turno, o candidato Coronel Hélio acabou em quinto lugar na disputa pelo Senado. A coligação reelegeu Styvenson Valentim, mas ele é filiado ao Podemos e faz uma carreira independente de partidos.
Álvaro agradeceu a uns e não a outros
O candidato Álvaro Dias gravou um vídeo agradecendo aos que o apoiaram na campanha: Babá Pereira, Rogério Marinho, Styvenson Valentim, Coronel Hélio. Esqueceu de agradecer ao prefeito Paulinho Freire.
Alma lavada
Em 2024, quando o então prefeito Álvaro Dias, na época filiado ao Republicanos, dizia que Carlos Eduardo não iria para o segundo turno da disputa pela prefeitura de Natal, todos achavam que ele estava fora da realidade. Abertas as urnas de primeiro turno, a previsão dele se realizou e o segundo turno foi entre Paulinho Freire e Natália Bonavides. Agora foi a vez de Carlos Eduardo dar o troco. Em junho ele anunciou o apoio a Allyson Bezerra e desistiu de uma candidatura a deputado estadual e fez a previsão de que o segundo turno seria entre Allyson e Cadu, deixando Álvaro Dias fora da disputa. Dito e feito.
Alma lavada II
Mesmo tendo saído com a aprovação em alta da prefeitura, Álvaro sofreu um forte desgaste na campanha com a fama de ter entregado obras inacabadas “colando” no seu perfil. Ele ainda foi o mais votado em Natal, mas só conseguiu 39% dos votos, contra 35% de Cadu. Em 2018 mil, Carlos Eduardo que tinha saído da Prefeitura dois anos antes e contou com o apoio de Álvaro prefeito teve 47% dos votos em Natal contra 29% de Fátima Bezerra no primeiro turno.
Estrutura fora
Em 2022, Adjuto Dias teve mais de 22 mil votos em Natal, este ano sua votação foi de 9.983, caiu para menos da metade. Entre os que trabalharam pelo deputado do PL, a quebra é atribuída à dobradinha feita pelo vereador Ériko Jácome (PSDB) com Nina Souza com uma grande estrutura de campanha montada na cidade. Lá no fundo, bem lá no fundo mesmo, há uma satisfação entre eles em ver que o presidente da Câmara ficou fora e Adjuto se reelegeu.
Caicó escolheu o filho da terra
Muitos diziam que Álvaro Dias estava liquidado em Caicó. Abertas as urnas, o resultado mostrou que ele ainda mantém uma liderança na cidade. Álvaro foi o mais votado com 39% dos votos contra 32% de Cadu e 27% de Allyson. Adjuto Dias foi o deputado mais votado na cidade com 6.784 votos. Muito acima dos 4.125 de Nelter Queiroz, apoiado pelo prefeito Dr. Tadeu, e de Bibi Costa, irmão do deputado Vivaldo Costa que teve apenas 2.832 votos.
Aliás Dr. Tadeu perdeu uma boa chance de se ficar calado. Na reta final da campanha, anunciou que tirava o apoio de Samanda para apoiar Zenaide Maia.
Esse errou feito.
Nem com a conta cheia
A influenciadora Dani Ribeira chamou a atenção durante a campanha por ter recebido do partido Uniao Brasil mais de R$ 2,5 milhões. Mas o resultado mostra que dinheiro não é tudo. Em Mossoró sua base de influência ela teve 3.682 votos. Menos que Marleide Cunha, do PT, que teve mais de 7.901 votos, e muito menos que a maioria dos deputados eleitores, sem falar nos mais de 54 mil votos do Cabo Dayvinson teve na cidade. Já Chintia, mulher de Allyson Bezerra, com quem ela fez dobradinha teve mais de 32 mil votos na cidade para se eleger deputada estadual.
A força de Lula no Oeste
Outra prefeita sem votos foi a de Pau dos Ferros. Mariana Almeida fez muita festa para anunciar o apoio a Allyson e Zenaide, mas na cidade, Cadu teve metade dos votos válidos e Allyson só 32%. Pro Senado, Samanda ganhou com 28% contra 20% de Zenaide.
Uma derrota que deu certo
Robério Paulino, que foi candidato a governador até uma semana antes das eleições, acabou ganhando uma cadeira de volta à Câmara Municipal. Ele é suplente de Thabata Pimenta que trocou o PSOL pelo PV e se elegeu deputada federal.
Trampolim da vitória
Aliás a Câmara de Natal tem se mostrado um bom trampolim para quem deseja disputar votos para outras esferas de governo. Nestas eleições, seis vereadores se elegeram para outros cargos. Nina Souza e Thabata Pimenta vão para a Câmara Federal. Robson Carvalho, Camila Araújo, Daniel Valença vão para a Assembleia e Samanda Alves vai para o Senado. Só Brisa Bracchi e Ériko Jácome amargaram derrotas eleitorais entre os vereadores candidatos.
Em 22, Paulinho Freire já tinha saído da Câmara Municipal para a Federal e Divaneide Basílio se elegeu para a Assembleia.
Curiosidades
- A não eleição de alguns candidatos chama a atenção pelo histórico e pelo perfil que tinham. O apresentador popular José Luís Datena, por exemplo, foi candidato a federal em SP e só obteve 51.078 votos. José Dirceu que disputava sua última eleição também foi derrotado com apenas 78 mil votos. Janaína Pascoal, que tinha sido a recordista de votos no Brasil, desta vez ficou fora com apenas 46 mil votos.
- No Rio de Janeiro, o general Pazuello, aquele que era ministro da Saúde na pandemia, se reelegeu federal. Também foi eleita Nisia Trindade, que era o oposto dele na pandemia e foi ministra da saúde no governo Lula.
- No DF, onde o bolsonarismo é forte, o mais votado para federal foi um candidato do PSOL: Fábio Félix.
- Dois potiguares ficam fora da Câmara. Agaciel Maia, irmão do deputado João Maia, perdeu feio no DF. Só teve 27 mil votos. Outro potiguar que perdeu as eleições foi Vicentinho que há anos tinha um mandato de federal por São Paulo.
- Já Gilson Machado, que tem ligações familiares como RN, se elegeu federal por Pernambuco.
- Sete candidatos a deputado estadual aparecem com zero votos computados nos resultados do primeiro turno das eleições de 2026, segundo os dados do TSE.
- Dois candidatos que disputaram as eleições deste domingo (4) com mandados de prisão em aberto ficaram como suplentes: Dr. Antonio Moeler (MDB), candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, e Farmacêutico João Alencar (Novo), que concorreu a deputado estadual em Rondônia.