Após a repercussão negativa provocada por declarações sobre estudos para analisar o futuro da Uern no fim de semana, o pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, voltou ao tema nesta terça-feira durante entrevista ao jornalista Diógenes Dantas, na 96 FM, e afirmou que pretende manter o modelo atual da universidade e até ampliar sua atuação caso seja eleito governador.
A nova fala representa uma tentativa de encerrar a crise política aberta após entrevista em Mossoró, quando Álvaro não deixou clara sua posição sobre uma possível federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. A declaração gerou reação imediata nas redes sociais e foi explorada por adversários políticos que distorceram o que ele falou para lhe acusar de querer privatizar a universidade estadual.
Desta vez, o ex-prefeito procurou adotar um discurso mais direto em defesa da instituição. “A Uern presta um grande serviço ao Rio Grande do Norte”, afirmou. Segundo ele, a universidade deve ser mantida como está e poderá até ampliar seus campi. Álvaro destacou ainda que a instituição já formou mais de 60 mil alunos.
O desgaste político ganhou força porque Álvaro integra o PL, partido comandado no Estado pelo senador Rogério Marinho e identificado nacionalmente com pautas liberais, redução do tamanho do Estado e discussões sobre privatizações e revisão do papel de empresas e instituições públicas. Nas redes sociais, adversários passaram a associar a fala do ex-prefeito a essas bandeiras políticas.
O episódio rapidamente virou tema de disputa digital entre aliados de Álvaro e grupos ligados ao governo estadual e ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. O pré-candidato governista Cadu Xavier também entrou no debate, ampliando a pressão sobre o ex-prefeito.
Na entrevista desta terça-feira, Álvaro também comentou a situação da Caern. Ele afirmou que, “a princípio”, não pretende privatizar a companhia, mas reconheceu deficiência na prestação dos serviços e disse que estudos técnicos apontam necessidade de investimentos de cerca de R$ 10 bilhões para recuperação da estrutura operacional da empresa. “A equipe detectou que, para manter um serviço de excelência, a Caern precisaria de um investimento muito elevado”, afirmou.
Outro tema abordado foi a formação da chapa da oposição para 2026. Álvaro disse que o grupo decidiu antecipar as definições políticas diante da antecipação da própria pré-campanha eleitoral no Estado. Ele confirmou alinhamento político com o senador Styvenson Valentim e com Coronel Hélio. Também destacou o papel de Babá Pereira, ex-presidente da Femurn e pré-candidato a vice-governador, na articulação com prefeitos do interior.
Apesar de afirmar que o grupo possui uma composição praticamente encaminhada, Álvaro disse que isso não impede novas candidaturas ao Senado. Ao comentar a possibilidade do empresário Flávio Rocha disputar a vaga, afirmou que a presença de mais nomes fortalece o processo democrático. “Quanto mais candidatos, melhor”, declarou, incluindo ai possíveis candidatos pelo PSOL e pelo PSTU.
Durante a entrevista, Álvaro também voltou a subir o tom contra o PT e acusou adversários de tentarem desqualificar obras realizadas durante sua gestão na Prefeitura de Natal, especialmente a engorda de Ponta Negra e o Hospital Municipal. Segundo ele, a primeira etapa física da unidade está concluída e a atual administração trabalha na fase de equipamentos e ajustes para início do funcionamento. "O PT é um partido nocivo, acostumado a fazer o mal. O PT é que fica querendo descarecterizar a obra porque, como negaram a licença muitas vezes, ficam agora combatendo porque só sabem fazer o mal. Não sabem fazer o bem".