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Todo Mundo no Rio se consolida como plataforma de marketing para a cidade

O megashow de Shakira na Praia de Copacabana não funcionou apenas como espetáculo musical. O evento reforçou o projeto Todo Mundo no Rio como uma plataforma estruturada de marketing urbano, com capacidade de projetar o Rio de Janeiro no cenário global e atrair investimentos privados.

A estratégia da Prefeitura combina três vetores centrais. Grande público presencial, alta repercussão internacional e ativação comercial de marcas. A soma desses elementos cria um ambiente raro, em que visibilidade e consumo se retroalimentam. Com cerca de 2 milhões de pessoas na orla e cobertura de veículos europeus e agências globais, o show ampliou o alcance da cidade como produto turístico.

A lógica se aproxima de grandes eventos esportivos e festivais internacionais, mas com custo proporcionalmente menor e maior frequência. Ao trazer artistas como Madonna, Lady Gaga e agora Shakira, o projeto cria uma narrativa contínua de relevância. 

Os números reforçam esse argumento. A estimativa de 250 milhões de dólares em mídia espontânea internacional para 2026 coloca o evento em patamar semelhante ao de campanhas globais de promoção turística. Nos anos anteriores, a exposição acumulada chegou a 500 milhões de dólares. Trata-se de um tipo de retorno difícil de obter por meios tradicionais de publicidade.

O impacto econômico direto ajuda a sustentar o modelo. A previsão de movimentação de R$ 800 milhões em 2026 indica que o evento funciona como indutor de consumo em cadeia. Hotelaria, bares, transporte e comércio absorvem esse fluxo. A arrecadação de ISS acompanha o movimento, com crescimento real relevante nos períodos coincidentes com os shows.

Outro indicador do valor de mercado da iniciativa é o interesse crescente de patrocinadores. Nesta edição, foram 15 marcas envolvidas, que utilizaram o evento como plataforma para lançamento de produtos e ações de engajamento. Empresas de tecnologia, moda, bebidas e automóveis transformaram a cidade em vitrine, com ativações espalhadas por diferentes pontos.

Esse ambiente reforça a percepção do Rio como espaço de experimentação de campanhas. A presença de uma multinacional de tecnologia promovendo inteligência artificial generativa e de marcas criando produtos exclusivos para o evento mostra que o projeto ultrapassa o entretenimento e entra no campo da comunicação estratégica.

O investimento público, estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por edição, permanece no centro do debate. A Prefeitura sustenta que o retorno indireto em arrecadação e exposição compensa o aporte. Na prática, o projeto opera como uma política de marketing territorial, em que o poder público assume parte do risco para atrair capital privado e gerar visibilidade.

A continuidade garantida até 2028 indica que a gestão municipal pretende consolidar o modelo. Com base nos resultados recentes, o Todo Mundo no Rio se posiciona como uma engrenagem de promoção da cidade, capaz de transformar eventos pontuais em ativos permanentes de imagem e de valor econômico.


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