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Sem debates, audiência vai para a internet

A reta final da disputa presidencial ganhou um roteiro que mostra a força da internet e as consequências disso para a TV aberta. Já na noite de ontem a TV Globo cancelou o último debate entre os candidatos após decisões judiciais que alteraram as regras do evento, enquanto os dois principais adversários transferiam a disputa para a internet. Lula participou de um podcast no canal Flow, que atingiu cerca de 1,7 milhão de espectadores simultâneos e acumulava cerca de 10 milhões de visualizações na manhã desta sexta-feira. Com a decisão que obrigava a TV a permitir a participação de Renan Santos (Missão), candidato do PL também desistiu de participar do debate já que o canidadato do Missão tem batido bastente do Bolsonaro. A partir dai ele fez uma transmissão ao vivo nas suas redes sociais que alcançou aproximadamente 950 mil espectadores simultâneos e ultrapassava 5 milhões de visualizações na manhã desta sexta-feira.

O debate da Globo naufragou em meio a uma sequência de decisões judiciais. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de manter no estúdio o púlpito vazio reservado a Lula e também vetou perguntas direcionadas ao candidato ausente. Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no encontro. Diante das mudanças, a Globo alegou insegurança jurídica e cancelou o programa. 

A controvérsia ganhou novos ingredientes quando Flávio anunciou que não participaria mais do debate. Além das críticas à decisão do TSE, aliados do candidato demonstraram forte resistência à presença de Renan Santos, que vinha intensificando ataques ao senador durante a campanha. 

Em vez do tradicional confronto televisionado, milhões de eleitores acompanharam transmissões separadas na internet. O episódio reforça uma mudança cada vez mais evidente na política brasileira: os candidatos já não dependem exclusivamente dos grandes debates para alcançar o eleitorado. As plataformas digitais passaram a ser palco principal da disputa, permitindo que cada campanha fale diretamente ao seu público, sem mediação e sem contraditório. Mas fica a questão se os espectadores dessas transmissões são eleitores que ainda podem ter sua decisão definda ou se os candidatos na verdade falam já para os convertidos nessas transmissões. 

O debate cancelado acabou produzindo um efeito inesperado: transformou podcasts e lives no maior evento político da véspera da eleição.


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Heverton de Freitas