Cadu e robério.png

A dobradinha dos debates chega às urnas

A dobradinha que apareceu em todos os debates realizados este ano entre Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL) chegou às urnas. A quatro dias do primeiro turno, o PSOL retirou a candidatura de Robério ao Governo do Rio Grande do Norte e anunciou apoio ao candidato do PT. A decisão tenta concentrar o voto do campo da esquerda em Cadu e aumentar suas chances de chegar ao segundo turno.

O tamanho desse apoio eleitoral é uma incógnita. Robério vinha aparecendo com percentuais baixos na maior parte das pesquisas, sempre girando em torno de 1 a 3% das intenções de voto.

Apesar desses números, numa disputa que parece apertada para a definição sobre quem irá enfrentar Allyson Bezrra (União) no segundo turno, os votos que iriam para Robério podem ser decisivos para garantir a vaga de Cadu na segunda etapa da disputa.

A união, entretanto, não apaga as diferenças que os dois candidatos exibiram durante a campanha. Robério foi um crítico da gestão Fátima Bezerra, governo do qual Cadu foi secretário da Fazenda. Ainda no período pré-eleitoral, afirmou que a governadora poderia ter feito muito mais em seus oito anos de administração e apontou o atraso do Rio Grande do Norte na educação, especialmente na expansão do ensino médio em tempo integral.

A divergência também apareceu na política econômica. Robério se posicionou contra a privatização da Caern e contra PPPs para serviços públicos, incluindo modelos defendidos pelo governo Fátima. Cadu, por sua vez, participou da administração estadual que levou adiante propostas de concessões e parcerias com a iniciativa privada.

Outro ponto de diferença apareceu na discussão sobre desenvolvimento. Robério não se colocou contra a instalação de data centers no Estado, mas afirmou que eles não representam "a grande saída" para a economia potiguar e cobrou avaliação dos impactos ambientais e do consumo de água. A posição contrasta com a política de atração de empreendimentos defendida pelo governo estadual e incorporada ao debate econômico da campanha. O ex-vereador também criticou fortemente a política de incentivos fiscais para atração de investimentos, em críticas ao modelo do Proedi, fortemente defendido por Cadu Xavier.

Na educação, porém, a aproximação foi mais fácil. Robério defendeu a erradicação do analfabetismo e a ampliação do ensino em tempo integral. Cadu assumiu o compromisso de incorporar essas propostas ao seu plano de governo, além de estabelecer uma coordenação com os municípios para enfrentar o analfabetismo.

A decisão do PSOL, portanto, tem um objetivo eleitoral bastante definido. Transformar uma candidatura que vinha pontuando pouco nas pesquisas em votos para Cadu e, principalmente, concentrar o eleitorado da esquerda antes de uma eleição em que a diferença entre chegar ou não ao segundo turno pode ser medida em poucos pontos percentuais.

 


Notícias relacionadas

Mais lidas

Perfil

Foto de perfil de Heverton Freitas

Heverton de Freitas