cabos submarinos.jfif

RN fica fora de corredor digital financiado pelo BNDES

A aprovação de R$ 73,8 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma nova rede de fibra óptica entre Recife e Fortaleza deixou o RN fora do traçado do projeto que pretende fortalecer a infraestrutura digital do Nordeste.

Os recursos serão destinados à Aloo Telecom para a implantação de 1,2 mil quilômetros de rede subterrânea de alta capacidade em municípios de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Segundo o BNDES, a nova estrutura vai aumentar a segurança, a disponibilidade e a velocidade da transmissão de dados, além de criar condições para a expansão dos data centers que estão sendo instalados na região.

O projeto beneficia diretamente cidades localizadas ao longo de um corredor que liga Recife e Fortaleza, dois dos principais polos de conectividade do Nordeste. A ausência do Rio Grande do Norte signfica também que o Estado vem perdendo espaço na disputa regional pela implantação dos Datacenters, embora mantenha a  liderança na geração de energia eólica e ao crescimento da energia solar.

No mercado de tecnologia, porém, energia barata e limpa é apenas parte da equação. Os data centers também dependem de redes robustas de telecomunicações para movimentar grandes volumes de informações em alta velocidade.

É nesse ponto que entram os chamados backbones, considerados as grandes rodovias da internet. Essas redes de fibra óptica de alta capacidade conectam cidades, estados e países, permitindo o transporte de enormes quantidades de dados. Quanto mais próximo de um backbone, maior a capacidade de conexão, menor o tempo de resposta e maior a segurança operacional para empresas que trabalham com armazenamento e processamento de informações.

A nova rota financiada pelo BNDES reforça justamente um desses corredores digitais estratégicos. Fortaleza já ocupa posição privilegiada por concentrar cabos submarinos que ligam o Brasil à Europa, aos Estados Unidos e à África. Recife, por sua vez, tem ampliado investimentos em tecnologia, computação em nuvem e infraestrutura digital.

A ligação direta entre esses dois polos pode aumentar a atratividade de Pernambuco e Ceará para novos empreendimentos ligados à economia de dados, setor que cresce impulsionado pela expansão dos serviços em nuvem e pelo avanço da inteligência artificial.

A exclusão do Rio Grande do Norte do traçado não significa que o estado esteja fora do mapa digital nem impede a chegada de futuros investimentos, já que o RN já possui redes de fibra óptica operadas por diferentes empresas e mantém vantagens competitivas relacionadas à produção de energia renovável.

Ainda assim, a decisão reforça um desafio para os próximos anos. Se pretende transformar seu potencial energético em investimentos tecnológicos, o estado precisará ampliar sua integração aos grandes corredores de transporte de dados que começam a se consolidar no Nordeste. A disputa pelos data centers do futuro dependerá cada vez mais da combinação entre energia, conectividade e infraestrutura digital.


Notícias relacionadas

Mais lidas

Perfil

Foto de perfil de Heverton Freitas

Heverton de Freitas