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RN amplia despesas acima da média e mantém um dos menores índices de investimento do país

RN amplia despesas acima da média e mantém um dos menores índices de investimento do país

O Rio Grande do Norte encerrou 2025 com crescimento de despesas correntes superior ao avanço das receitas e segue entre os estados que menos investem proporcionalmente no país. Os dados constam no relatório “RREO em Foco – Estados + DF”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional com base no 6º bimestre do ano passado.

Segundo o levantamento, as despesas correntes do RN cresceram 13% em 2025 na comparação com 2024, enquanto as receitas correntes avançaram 12%. Embora o Estado figure entre os que apresentaram expansão de arrecadação acima da inflação (4,26% no período), o ritmo maior de crescimento da despesa chama atenção no comparativo nacional.

Em diversos estados, a alta das despesas ficou abaixo ou no mesmo patamar das receitas. No caso potiguar, o avanço mais acelerado do gasto contribuiu para pressionar o resultado orçamentário, que fechou o ano com déficit de R$ 230 milhões (-1% da Receita Corrente Líquida).

Investimento entre os menores do país

O dado mais sensível, porém, está na composição da despesa. Apenas 4% da receita total do RN foram destinados a investimentos em 2025 — um dos menores percentuais do Brasil. Estados como Espírito Santo (20%), Maranhão (16%), Goiás (15%) e Mato Grosso (15%) aplicaram fatias significativamente maiores de suas receitas em obras e expansão de infraestrutura.

O baixo índice potiguar está diretamente associado ao elevado comprometimento com despesas obrigatórias. O RN lidera o ranking nacional de gasto com pessoal: 75% da receita total foram consumidos por essa rubrica em 2025, o maior percentual entre todos os estados e o Distrito Federal.

Na média nacional, a maioria das unidades da federação registra comprometimento entre 50% e 60%. Minas Gerais (63%) e Rio Grande do Sul (64%), tradicionalmente pressionados por folha e previdência, aparecem abaixo do percentual potiguar.

Previdência e rigidez fiscal

O déficit do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) também permanece elevado. O RN registrou resultado negativo de R$ 2,02 bilhões no fundo em repartição, equivalente a 10% da RCL — percentual entre os mais altos do país.

Com despesas rígidas, o espaço para investimentos fica reduzido. O relatório mostra que, mesmo com crescimento da Receita Corrente Líquida — que passou de R$ 17,26 bilhões em 2024 para R$ 19,51 bilhões em 2025 —, a estrutura do gasto limita a capacidade de expansão de políticas públicas estruturantes.

Comparativo nacional

No agregado, os estados brasileiros encerraram 2025 com piora do resultado primário consolidado, que saiu de superávit de R$ 55,7 bilhões em 2024 para déficit de R$ 3,8 bilhões em 2025. Nesse cenário, o RN manteve resultado primário positivo de R$ 760 milhões (4% da RCL), desempenho relativamente favorável.

Ainda assim, o retrato comparativo mostra que o principal desafio potiguar não está apenas no crescimento da receita, mas no controle da despesa corrente e na ampliação da capacidade de investimento — hoje entre as mais baixas do país proporcionalmente à receita disponível.


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