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Restos a Pagar do governo federal registrado este ano aumentou R$ 65 bi

Neste ano eleitoral em que tanto se fala em rombo, especialmente o PT, o Tesouro Nacional  informou que o estoque de restos a pagar do governo federal atingiu R$ 391,5 bilhões no Orçamento de 2026, o maior patamar já registrado, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29). O valor representa um crescimento nominal de R$ 79,1 bilhões em relação a 2025, alta de 25,3%. Descontada a inflação, o aumento foi de R$ 65,7 bilhões, o que equivale a uma expansão real de 20,2%.

Os restos a pagar são despesas que já foram empenhadas, ou seja, autorizadas no Orçamento, mas que não foram quitadas até o fim do exercício e acabam sendo transferidas como obrigação para o ano seguinte. Na prática, funcionam como uma espécie de “orçamento paralelo”, pois comprometem recursos futuros sem aparecer integralmente nas novas autorizações orçamentárias.

O crescimento em 2026 foi puxado principalmente pelas novas inscrições feitas no próprio exercício. Do total da alta, R$ 73,6 bilhões — o equivalente a 93,1% — vieram de novas despesas empenhadas e não pagas no mesmo ano. Já os restos a pagar apenas reinscritos de anos anteriores tiveram aumento bem menor, de R$ 5,4 bilhões.

Outro ponto de destaque é a forte concentração nos restos a pagar não processados, que somaram R$ 61 bilhões do crescimento total. Isso indica que grande parte das despesas sequer chegou à fase de liquidação, quando o governo comprova que o serviço foi prestado ou o bem foi entregue, reforçando a percepção de adiamento relevante de gastos para exercícios futuros.

A maior parte da expansão veio das despesas financeiras, que cresceram R$ 65,4 bilhões, contra R$ 13,7 bilhões nas despesas primárias. Entre os itens financeiros, chamam atenção os R$ 41,7 bilhões ligados a financiamentos de projetos de desenvolvimento tecnológico, operações reembolsáveis do Minha Casa, Minha Vida e investimentos em infraestrutura social. Também houve aumento expressivo de R$ 11,8 bilhões em apoio reembolsável a projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e a empresas aéreas do mercado doméstico.

Nas despesas primárias, os principais aumentos foram em gastos com pessoal e encargos sociais (R$ 3,6 bilhões), benefícios previdenciários (R$ 3 bilhões) e despesas discricionárias do Executivo (R$ 2,5 bilhões), que dependem de programação financeira e costumam ser mais sensíveis a contingenciamentos.

Os dados de 2025 mostram que, apesar do elevado estoque, o governo conseguiu liquidar parte relevante dessas obrigações. Dos R$ 312,5 bilhões inscritos ou reinscritos naquele ano, R$ 231,2 bilhões foram pagos, enquanto R$ 14,9 bilhões acabaram cancelados. Ainda assim, R$ 66,4 bilhões permaneceram pendentes, contribuindo para a formação do elevado estoque herdado por 2026.

O avanço dos restos a pagar reforça o debate sobre a sustentabilidade da execução orçamentária e a prática de empurrar despesas para exercícios seguintes. Embora parte desses valores esteja associada a financiamentos e operações reembolsáveis, o volume recorde amplia a pressão sobre o caixa futuro e reduz o espaço fiscal efetivo para novas políticas públicas.


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