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Pesquisa revela Brasil fragmentado e aponta limites da polarização em 2026

 

Pesquisa do ICL revela Brasil fragmentado e aponta limites da polarização eleitoral em 2026

Uma ampla pesquisa nacional de opinião pública realizada pelo Instituto Conhecimento Liberta ICL e divulgada pela própria entidade em novembro de 2025 mostra que o Brasil caminha para 2026 menos polarizado entre lideranças políticas e mais dividido por valores e percepções sobre o papel do Estado, da justiça e da moralidade pública. O levantamento ouviu cerca de 9,5 mil pessoas em todo o país e tem margem de erro de apenas um ponto percentual.

Os dados indicam que a tradicional leitura baseada exclusivamente na disputa entre Lula e Bolsonaro já não é suficiente para explicar o comportamento do eleitorado. A pesquisa identifica seis grandes segmentos sociais, organizados a partir de visões sobre ordem, economia, políticas públicas e costumes, revelando um país fragmentado e com identidades políticas mais complexas.

O maior desses grupos reúne aproximadamente 30 por cento da população e é formado por eleitores com forte demanda por segurança pública, punição rigorosa e combate à corrupção. Trata se de um campo conservador majoritariamente crítico ao governo federal, mas que não se apresenta de forma homogênea nem automaticamente alinhada a uma liderança específica da direita.

No campo governista, a esquerda aparece dividida entre dois perfis distintos. De um lado, um segmento urbano, progressista e com maior nível de escolaridade, fortemente engajado em pautas identitárias e de direitos. De outro, uma base popular, predominantemente feminina e de baixa renda, cujo apoio ao governo está mais ligado à manutenção de políticas sociais, serviços públicos e proteção do Estado.

Entre esses polos, ganha relevância um contingente expressivo de eleitores sem identidade ideológica rígida. Esse grupo central oscila entre demandas por ordem, eficiência administrativa e preservação de políticas sociais, funcionando como o principal espaço de disputa eleitoral para 2026.

A pesquisa também revela uma sociedade dividida em temas sensíveis ligados à justiça e à punição. Quase metade dos entrevistados admite aceitar o risco de que inocentes sejam punidos para evitar a impunidade, refletindo um sentimento difuso de descrédito nas instituições. No entanto, a rejeição aumenta quando o tema envolve pena de morte ou situações pessoais, o que demonstra limites morais claros ao discurso punitivista.

Outro dado relevante é o alto grau de indignação com a corrupção. Escândalos envolvendo emendas parlamentares e supersalários no Judiciário provocam mais revolta do que debates religiosos ou identitários, atravessando diferentes classes sociais e campos ideológicos. O resultado reforça que o discurso anticorrupção segue com forte potencial de mobilização eleitoral.

Do ponto de vista político, a leitura do ICL indica que a eleição de 2026 tende a ser menos marcada por identidades fixas e mais pela capacidade dos candidatos de dialogar com um eleitorado fragmentado, pragmático e desconfiado das instituições. Em um cenário em que a polarização persiste, mas já não explica tudo, a disputa pelo centro instável pode definir o resultado das urnas.


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