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Pesquisa Atlas revela repúdio às bets e sufoco com o custo de vida

Mais do que medir intenções de voto, a pesquisa Atlas/Bloomberg oferece pistas importantes sobre quais discursos têm maior potencial de ressonância junto ao eleitorado nesta reta final da campanha. E os dados sugerem que tanto Lula quanto Bolsonaro, cada um à sua maneira, estão explorando temas que encontram respaldo relevante na opinião pública.

De um lado, a pesquisa mostra uma enorme rejeição às apostas esportivas. Nada menos que 88,5% dos entrevistados avaliam que as bets causam mais prejuízos do que benefícios. Além disso, 81% defendem maior tributação para as empresas do setor, 79% apoiam restrições à publicidade e 75% concordam até mesmo com a proibição das plataformas.

O resultado conversa diretamente com a estratégia adotada recentemente pelo presidente Lula, que passou a endurecer o discurso contra as apostas online e a defender medidas mais rígidas de controle e restrição. Ao menos nesse tema, os números indicam que o governo está falando para uma maioria ampla da população.

Por outro lado, a pesquisa também aponta que a principal angústia econômica dos brasileiros continua sendo o custo de vida. O aumento dos preços dos alimentos é apontado por 44,2% como o fator que mais prejudica a situação financeira das famílias. Em seguida aparecem as contas básicas, como água, luz, gás e internet, com 32,1%.

Além disso, apenas 16,3% afirmam conseguir guardar dinheiro regularmente, enquanto 33,5% relatam que falta dinheiro em alguns ou na maioria dos meses. Trata-se de um retrato que reforça a sensação de aperto financeiro enfrentada por uma parcela significativa da população.

É justamente nesse terreno que Flávio Bolsonaro e seus aliados têm concentrado boa parte dos ataques ao governo. A insistência no preço dos alimentos, no valor das contas domésticas e na perda do poder de compra encontra uma preocupação real e amplamente disseminada entre os eleitores.

A pesquisa sugere, portanto, que os dois principais campos políticos possuem temas potencialmente fortes para mobilizar o eleitorado. Lula parece encontrar apoio quando enfatiza o combate às bets e a proteção das famílias contra os efeitos do jogo. Bolsonaro, por sua vez, encontra um terreno fértil ao explorar a inflação percebida no dia a dia e o peso crescente do custo de vida.

O desafio para ambos é que os temas não possuem o mesmo peso eleitoral. Embora a rejeição às bets seja quase consensual, é a economia doméstica que afeta diretamente a vida cotidiana dos eleitores. A história recente das eleições brasileiras mostra que o humor econômico costuma ter impacto mais profundo na decisão de voto do que pautas regulatórias específicas.

Corrupção que reforça a polarização

Outro dado da pesquisa ajuda a explicar por que a disputa entre Lula e Bolsonaro continua estruturando a política brasileira mesmo após anos de desgaste mútuo. Ao serem questionados sobre quem estaria mais envolvido no esquema de fraudes do Banco Master, os entrevistados ficaram praticamente divididos ao meio: 43,8% apontaram principalmente aliados de Bolsonaro e 43,4% atribuíram a responsabilidade principalmente aos aliados de Lula.

O resultado sugere que episódios de corrupção e escândalos financeiros são filtrados pelas lentes da polarização política. Em vez de produzir consenso ou desgastar apenas um dos lados, a crise acaba reforçando convicções já existentes. A diferença de apenas 0,4 ponto percentual entre os dois grupos mostra que a opinião pública está longe de enxergar um culpado claro.

Apesar disso, a crise envolvendo ministros do STF aparece como um potencial fator eleitoral relevante. Segundo a Atlas, 52,3% dos entrevistados acreditam que o desgaste do STF prejudica mais a candidatura de Lula, contra 20,8% que veem impacto maior sobre Flávio Bolsonaro. Outros 15,5% avaliam que a crise afeta os dois lados igualmente.

 

 


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