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Os candidatos apresentam suas armas

A campanha ao Governo do Rio Grande do Norte começou oficialmente neste domingo. Mas, antes de ocupar as ruas, ela já se desenhou nas telas. O digital virou o principal palanque da disputa pelo menos até o final do mês quando começa a campanha na televisão. Neste começo nas redes sociais, cada um dos principais candidatos escolheu um caminho diferente para se apresentar ao eleitor.

Cadu Xavier não esconde de onde quer tirar força. O mote “Cuida” busca construir uma imagem de proximidade, enquanto Lula aparece em praticamente todos os takes. Cadu também assumiu Fátima Bezerra. Não há, pelo menos nesse início, qualquer tentativa de se afastar da governadora ou de esconder a continuidade. Pelo contrário. Assumiu que pretende ser um governo de continuidade e disse que, ao lado dela, conseguiu colocar em dia os salários dos servidores estaduais, melhorar as estradas e investir em segurança. A estratégia de Cadu é apostar fortemente na influência do presidente Lula e conquistar logo de cara o patamar histórico de votos do PT em torno de 20% do eleitorado para a partir daí tentar crescer conquistando os simpatizantes de Lula e com isso chegar ao segundo turno. Nacionalizar a candidatura e apostar no peso eleitoral de Lula no Rio Grande do Norte é o que quer o Cadu de Lula.

Pra mudar o que tá ai

Álvaro Dias, por outro lado, segue na direção oposta. Aposta no eleitor anti-PT e transforma o confronto político em elemento central da comunicação com o slogan "Pra mudar o que tá ai". Ele irá focar em se consolidar como o polo oposto ao do governo atual. A polarização, ele mesmo já disse em entrevistas, é a aposta dele para tirar o candidato Allyson Bezerra do segundo turno. Esta semana mesmo em uma entrevista o publicitário Alexandre Macedo, que sabe muito bem ler pesquisas, deixou no ar que Allyson seria o Plano B do PT, O objetivo da oposição é tentar transferir a alta rejeição ao petismo no estado para Allyson, repetindo uma fórmula de desconstrução de imagem que já foi usada em pleitos municipais anteriores em Natal.

Em 2024, a propaganda eleitoral de Paulinho Freire, feita pelo mesmo Alexandre Macedo, massacrou a tese de que Carlos Eduardo seria, secretamente, o "plano B do PT", aproveitando-se do fato de que a candidata oficial do partido, Natália Bonavides, enfrentava altos índices de rejeição em certas parcelas do eleitorado natalense

Mas Álvaro também abriu a campanha “batendo” em Allyson, chamando-o de “velha política com nova embalagem”. O alvo, nesse caso, vai além do PT. A estratégia tenta colocar sob suspeita também quem chega à disputa vendendo a ideia de novidade. Como líder das pesquisas Allyson deve ser alvo dos adversários nesse começo da campanha para tentarem passar ele e, se a estratégia de Álvaro der certo, disputar o segundo turno contra Cadu quando a guerra de rejeições deixará os dois candidatos em pé de igualdade.

O Azulão da Esperança 

Já Allyson Bezerra escolheu outro terreno. O “Azulão da Esperança”, numa referência ao pássaro, dá identidade à campanha. Os primeiros conteúdos mostram agilidade, movimento e ação, mas entregam pouco sobre posicionamento político. Allyson preferiu contar sua história. O menino pobre, vindo do interior, que venceu dificuldades e chegou à política aparece como personagem central das primeiras peças. Pelo menos por enquanto. ele evita o debate político e ideológico e foca na sua própria história de vida e no que é muito bom que é usar as redes sociais, junto com seu marqueteiro Helito Honorato.

Eles usam essa postura hiperativa e enérgica nas redes sociais com o objetivo de obter a máxima retenção no ambiente digital, um ativo que os algoritmos transformam em alcance orgânico e engajamento.

A estética do político formal que fala pausadamente, anda devagar, parece pesado, é frequentemente associada à velha política e ao distanciamento do povo. O movimento físico intenso transmite a imagem de um líder acessível, que está no meio do povo, sem barreiras e ao mesmo tempo trabalhador, já que a agitação física é vista pelo subconsciente do eleitor como energia para trabalhar, o que casa com a idade do candidato, ainda um jovem, mas como uma gestão aprovada na prefeitura de Mossoró.

Essa a fotografia do primeiro dia da propaganda oficial da eleição ainda que limitada por enquanto às redes sociais: Cadu quer ser identificado e deixar claro de que lado está. Álvaro quer confrontar e mostrar claramente contra quem está e Allyson quer dizer quem é centrado na narrativa do jovem que veio de baixo e está subindo os degraus da política com força e energia para trabalhar.

O ideológico

Por fora, corre o candidato do PSOL, Robério Paulino, que mantém a campanha fortemente ancorada no discurso ideológico e tenta transformar a simplicidade da estrutura que dispõe em ativo político. Neste início, foi às ruas fazer panfletagem na Zona Norte de Natal e gravou um vídeo de linguagem orgânica, sem a estética mais produzida das grandes campanhas. No conteúdo, fez questão de dizer que não havia ninguém pago naquela mobilização. A mensagem ajuda a reforçar a imagem de uma candidatura militante, construída mais pela adesão política do que pela estrutura.

Foi dada a largada. Agora são mais quase 50 dias para ver o que acontece de fato.

 


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