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Nordeste cresce produtividade do trabalho enquanto Sudeste recua

Mesmo com a leve queda da produtividade do trabalho no Brasil entre 2012 e 2023, o Nordeste apresentou desempenho positivo e ajudou a reduzir o impacto da retração nacional. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, com base em estudo do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da Fundação Getulio Vargas, a produtividade do país caiu 0,12% no período, puxada principalmente pelo Sudeste e pelo Norte.

Enquanto o Sudeste registrou retração de 0,27% e o Norte de 0,11%, o Nordeste teve crescimento de 0,22%, o melhor resultado entre todas as regiões brasileiras. O Centro Oeste também apresentou avanço, de 0,18%, e o Sul ficou praticamente estável.

Apesar do crescimento, o Nordeste segue como a região com menor valor adicionado bruto por pessoa ocupada. A preços de 2010, o indicador passou de R$ 22,8 mil em 2012 para R$ 23,9 mil em 2023, cerca de metade do registrado no Centro Oeste, com R$ 47,6 mil, e no Sudeste, com R$ 45,3 mil, que lideram a produtividade no país.

De acordo com o Valor Econômico, o desempenho relativamente melhor do Nordeste está associado a fatores estruturais da economia regional. A região tem renda domiciliar per capita mais baixa, cerca de 65% da média nacional, e maior participação de transferências de renda, como benefícios sociais e pensões, que representam 32,7% do total, acima da média brasileira.

Pesquisadores apontam que essa característica torna o Nordeste menos sensível aos ciclos econômicos, já que a economia é fortemente baseada em serviços e voltada ao mercado interno. O estudo também mostra que, entre 2012 e 2019, período marcado pela crise econômica, Nordeste e Centro Oeste cresceram em produtividade, enquanto Sudeste, Sul e Norte recuaram. Já entre 2020 e 2023, no pós pandemia, o movimento foi inverso.

Para os economistas ouvidos pelo Valor Econômico, o Nordeste atua como um estabilizador da produtividade no Brasil, amortecendo quedas em momentos de crise. O avanço mais consistente da região, no entanto, depende de investimentos em infraestrutura, crédito, fortalecimento das cadeias produtivas e qualificação da mão de obra, agenda que também dialoga com os desafios do Rio Grande do Norte.


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