Celebrado nesta sexta-feira, 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente chega em um momento em que a sustentabilidade ocupa espaço crescente no debate público, mas ainda encontra dificuldades para se transformar em prática no cotidiano dos brasileiros.
Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a população reconhece a importância de iniciativas ligadas à economia circular, mas ainda demonstra resistência ao consumo de produtos reciclados e ao descarte adequado de resíduos.
O levantamento, realizado pela Nexus com 2.019 entrevistados em todas as regiões do país, aponta que 72% dos brasileiros avaliam positivamente empresas que investem em práticas de economia circular. Apesar disso, 43% afirmam que não comprariam produtos reciclados, independentemente do preço.
Os dados revelam que a preferência por produtos novos continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão desse mercado. Entre os entrevistados, 34% dizem optar sempre por itens novos, enquanto 30% afirmam ter dúvidas sobre a qualidade e a durabilidade de produtos fabricados a partir de materiais reciclados.
Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, os resultados indicam que a conscientização sobre o tema avançou, mas ainda existe um déficit de informação sobre os benefícios e a confiabilidade dos produtos circulares.
A pesquisa também mostra que o conceito de economia circular permanece distante da maior parte da população. Apenas 13% dos entrevistados afirmam conhecer profundamente o tema. O modelo busca reduzir o desperdício por meio da reutilização, reciclagem e reaproveitamento de materiais, diminuindo a necessidade de extração de novos recursos naturais.
Outro dado chama atenção. Mais da metade dos brasileiros, 56%, não percebe relação direta entre seus hábitos de consumo e a emissão de gases de efeito estufa, principal fator associado às mudanças climáticas.
A situação se repete quando o assunto é logística reversa. O estudo aponta que 84% da população não costuma devolver produtos como pilhas, baterias, lâmpadas e equipamentos eletrônicos aos pontos de coleta destinados ao descarte correto. A falta de informação foi apontada por 33% dos entrevistados como principal motivo para essa prática, seguida pela distância dos locais de recebimento, mencionada por 24%.
Se o descarte correto ainda enfrenta dificuldades, o hábito de prolongar a vida útil dos produtos já está presente na rotina dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 58% preferem consertar equipamentos e objetos antes de substituí-los por novos.
A motivação, porém, está mais ligada ao orçamento doméstico do que à preocupação ambiental. Entre aqueles que optam pelo reparo, metade afirma agir para economizar dinheiro. Apenas 10% dizem que a decisão é motivada principalmente pela preservação do meio ambiente.
Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, os números sugerem que o país enfrenta um desafio que vai além da criação de políticas públicas e investimentos empresariais. A ampliação da infraestrutura de coleta, a oferta de informações claras ao consumidor e o fortalecimento da confiança nos produtos reciclados aparecem como fatores decisivos para aproximar o discurso ambiental das escolhas feitas pelos brasileiros no dia a dia.