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Lufthansa compra metade da TAP e foca o Nordeste

A Lufthansa foi escolhida pelo governo português para adquirir até 49,9% do capital da TAP Air Portugal, em uma operação de € 1,201 bilhão. A entrada do grupo alemão na companhia portuguesa ocorre em um momento de expansão das ligações entre o Nordeste e a Europa e pode ter reflexos na disputa por passageiros entre Natal e Fortaleza.

Um dos pontos de atenção é a relação da Lufthansa com a Fraport, administradora do Aeroporto de Fortaleza. O grupo alemão detém 8,44% das ações da empresa aeroportuária e mantém com ela uma parceria empresarial em Frankfurt. A conexão ganha relevância diante da futura participação na TAP, que opera voos entre o Nordeste e Lisboa.

A escolha da Lufthansa superou a proposta da Air France-KLM. O Estado português manterá 50,1% das ações nesta primeira etapa, e a conclusão da operação depende das aprovações regulatórias. O plano alemão prevê ampliar a frota da TAP de 101 aeronaves para 117 até 2035, com possibilidade de superar 130 posteriormente. O governo português também destacou a intenção de reforçar a presença da companhia na América Latina.

Fortaleza já amplia sua oferta de voos para a Europa. A partir de outubro, a TAP passou a prever nove frequências semanais entre a capital cearense e Lisboa. A LATAM também anunciou a expansão da rota, com cinco voos semanais entre novembro de 2026 e março de 2027, ante três anteriormente. Somadas, as duas empresas oferecerão 14 frequências semanais entre Fortaleza e Lisboa nesse período.

A expansão ocorre em um aeroporto administrado pela Fraport, que mantém programas de incentivos para estimular novas rotas e aumentar frequências. As medidas buscam criar condições comerciais para atrair companhias aéreas e ampliar a conectividade internacional. A decisão final sobre a abertura de voos, entretanto, cabe às empresas. A relação entre Lufthansa, Fraport e TAP torna relevante acompanhar como serão distribuídos os investimentos e as novas frequências da companhia portuguesa no Brasil.

Para Natal, a questão é estratégica. A ligação direta com Lisboa facilita a chegada de turistas europeus ao Rio Grande do Norte e conecta os passageiros potiguares a outros destinos atendidos pela TAP. Se Fortaleza ampliar sua oferta internacional mais rapidamente, poderá ganhar participação na disputa por visitantes e passageiros de conexão, mesmo sem que haja retirada de voos da capital potiguar.

O Aeroporto de Natal movimentou 1,387 milhão de passageiros no primeiro semestre de 2026, alta de 18% sobre igual período do ano anterior. O fluxo internacional chegou a 100.491 passageiros, crescimento de 92%, segundo dados da concessionária Zurich Airport Brasil, graças a chegada de novos voos vindos de países do Mercosul.

A compra da participação na TAP não implica mudança imediata na rota Natal-Lisboa. O efeito dependerá das decisões comerciais da companhia e da capacidade dos destinos brasileiros de atrair novas frequências. Para o Rio Grande do Norte, acompanhar os planos de expansão da TAP e disputar investimentos e assentos internacionais será fundamental para não perder espaço na conectividade com a Europa.

 

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