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Indústria do petróleo busca apoio por exploração entre o AP e o RN

O avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial entrou na corrida presidencial de 2026. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), principal entidade do setor, prepara a entrega de um documento aos candidatos ao Palácio do Planalto defendendo a expansão da atividade petrolífera como eixo estratégico da economia brasileira e apontando a nova fronteira exploratória entre o Amapá e o Rio Grande do Norte como prioridade nacional.

A iniciativa ocorre em meio à disputa em torno do licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama e à pressão crescente da indústria para acelerar projetos considerados fundamentais para garantir arrecadação, empregos e investimentos nas próximas décadas.

O documento do IBP menciona a previsão de US$ 180 bilhões em investimentos privados no setor de energia ao longo do próximo ciclo de governo e ressalta o peso fiscal da indústria de óleo e gás. Segundo a entidade, o setor responde por cerca de 17% do PIB industrial brasileiro e injeta mais de R$ 300 bilhões anuais em tributos, royalties e participações governamentais.

Embora o debate nacional esteja fortemente concentrado na Foz do Amazonas, no Norte do país, o Rio Grande do Norte tenta recuperar espaço dentro da nova geopolítica do petróleo brasileiro. Nos últimos meses, a Petrobras voltou a sinalizar interesse estratégico na Bacia Potiguar marítima, incluída na chamada Margem Equatorial.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, esteve recentemente em Natal para anunciar a perfuração do poço exploratório “Mãe de Ouro”, em águas profundas da costa potiguar. O projeto integra a retomada das atividades exploratórias offshore no estado após anos de redução da presença da Petrobras nos campos maduros terrestres.

O anúncio ajuda a recolocar o RN no mapa da exploração petrolífera, mas ainda de forma secundária em relação às áreas mais cobiçadas pelo mercado internacional. Nos leilões recentes da Agência Nacional do Petróleo, blocos localizados na costa potiguar tiveram baixa procura e vários setores não receberam propostas de empresas privadas.

Enquanto a região da Foz do Amazonas concentra expectativas de descobertas gigantescas semelhantes às da Guiana, a Bacia Potiguar é vista como uma área mais madura geologicamente e com menor percepção de risco exploratório.

Na prática, a retomada do interesse pelo litoral potiguar depende muito mais da estratégia da Petrobras do que de uma corrida global das petroleiras. A estatal funciona hoje como principal âncora da nova aposta exploratória no estado.

Para o governo do RN e o setor produtivo local, o petróleo continua sendo uma atividade relevante para a arrecadação estadual, geração de empregos especializados e manutenção da cadeia de fornecedores instalada ao longo de décadas.

Ao levar o debate para os presidenciáveis, o IBP busca transformar a exploração da Margem Equatorial em tema central da agenda econômica nacional. A indústria tenta consolidar o argumento de que o petróleo seguirá indispensável para financiar a transição energética brasileira e sustentar as contas públicas, mesmo em um cenário global de pressão por descarbonização.

Do outro lado, ambientalistas mantêm críticas ao avanço da exploração na região e defendem maior rigor no licenciamento, especialmente em áreas sensíveis próximas à Amazônia. O embate entra para a agenda eleitoral nos próximos meses, colocando desenvolvimento econômico, arrecadação e proteção ambiental no centro da disputa política sobre o futuro energético do país.


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