O diálogo e o tempo que passa
A diretoria da MDNE - a nova holding institucional que agora engloba as marcas Moura Dubeux, Mood e Ún1ca — esteve em Natal recentemente para o lançamento da Ún1ca, a nova marca do grupo voltada para o segmento econômico, com o empreendimento Veredas: Villa Park, em Neópolis. O projeto foca em famílias com renda de até 8 salários-mínimos (Faixa 3 do Minha Casa Minha Vida), ocupando um nicho que há tempos pedia por empreendimentos de qualidade.
Na oportunidade, conversamos com Homero Moutinho, diretor regional da empresa, sobre a experiência do grupo em outras capitais nordestinas, onde atua também com projetos de requalificação de áreas degradadas e a expertise da empresa. Daí surge a provocação para o nosso domingo: se Recife, Salvador e Fortaleza estão redesenhando seus centros históricos com o apoio da iniciativa privada, o que falta para Natal fazer o mesmo?
Com a palavra Homero Moutinho:
A Moura Dubeux tem investido significativamente na revitalização do centro histórico do Recife, incluindo restauração de prédios históricos, retrofit de silos e integração urbana com espaços públicos. Isso poderia inspirar ou ser replicado em uma cidade como Natal? Quais seriam os principais desafios para que um projeto semelhante de requalificação urbana ocorra com a atuação da Moura Dubeux em cidade como Natal?
O que a Moura Dubeux está fazendo no centro do Recife não é apenas um projeto imobiliário, é uma estratégia de cidade, com construção de legado para todos. Acreditamos no papel do incorporador como agente de transformação urbana.
Esse tipo de iniciativa pode inspirar outras cidades, incluindo Natal, mas depende de alguns fatores fundamentais: alinhamento com poder público, segurança jurídica, incentivos urbanísticos, escala mínima para viabilizar investimento e visão de longo prazo.
Projetos de requalificação urbana são mais complexos do que um desenvolvimento tradicional. Envolvem patrimônio, infraestrutura, cultura local e múltiplos atores.
Quando essas condições existem, a Moura Dubeux tem interesse e capacidade de atuar. A transformação realizada com o Novo Cais e os Silos do Moinho, em Recife, ou a mudança em Ondina com os nossos empreendimentos de Salvador, ou tudo que aconteceu nos bairros do Papicu e Presidente Kennedy em Fortaleza mostram que sabemos fazer isso.
O Recife como Espelho
A revitalização do centro histórico do Recife é uma aula de estratégia urbana. O que a MDNE tem executado na capital pernambucana — do retrofit de silos ao resgate do Novo Cais — prova que o setor privado pode ser o motor da recuperação de áreas degradadas. A transformação de bairros como Ondina (Bahia) e Papicu (Ceará) reforça que o grupo possui a expertise para converter "zonas mortas" em novos polos de vida e valorização.
O que falta para o nosso Centro?
Ao olhar para o Porto do Recife, é impossível não pensar no potencial desperdiçado do nosso Centro Histórico e da Ribeira. Natal possui o cenário, mas falta o alinhamento. Enquanto cidades vizinhas avançam com legislações modernas para atrair capital e salvar o patrimônio, Natal ainda parece patinar em burocracias. Se a MDNE sinaliza que tem "interesse e capacidade" de atuar em projetos complexos, a inércia local torna-se injustificável.
Esperando o quê?
A pergunta que fica para este domingo é: o que a Prefeitura de Natal está esperando para chamar a diretoria da MDNE — e outros grandes players — para uma mesa de debate séria? Não é necessário "reinventar a roda", mas sim adaptar o que já funciona em três capitais vizinhas. O sucesso desses projetos depende de uma visão de longo prazo que ultrapasse calendários eleitorais. É hora de abrir o diálogo e entender quais travas impedem que a Ribeira e a Cidade Alta recebam o mesmo fôlego de renovação que hoje orgulha os recifenses.
Mossoró Cidade Junina
O prefeito Allyson Bezerra (União) está de saída do cargo para disputar o governo do Estado, mas antes ainda quer lançar o Mossoró Cidade Junina. As providências estão sendo tomadas e a Prefeitura já lançou os editais para escolher a empresa (ou empresas) que irão explorar os camarotes dos polos Estação das Artes e do “Pingo da Mei Dia”.
STF acata recurso do TCE/RN e derruba decisão do TJ
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela procedência da Reclamação nº 90.984, ajuizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN). A decisão, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, cassou acórdão da 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do TJRN que havia anulado multa aplicada pelo TCE/RN ao prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado, por irregularidades na gestão anterior dele, referente ao ano fiscal de 2013.
O STF reafirmou o entendimento da ADPF 982, segundo o qual os Tribunais de Contas têm competência técnica para julgar contas de gestão de prefeitos que atuem como ordenadores de despesas, podendo aplicar sanções administrativas e imputar débitos, sem necessidade de ratificação pelas Câmaras Municipais.
A decisão consolida a atuação dos Tribunais de Contas, assegurando que prefeitos que atuam como ordenadores de despesas respondam por suas ações, sem depender da ratificação das Câmaras Municipais.
Sem notícias
Quem estava acostumado a ouvir o jornalismo de qualidade da rádio CBN em Natal, agora se depara com uma programação de música popular (para não falar de péssima qualidade) no dial da 91.1 FM. A mudança é resultado da venda das emissoras do grupo Tropical para o grupo empresarial de Marcos Solano Vale (do Paraná). Com a mudança, a estação se tornou afiliada da Rede Mundial.
Mais notícias
Enquanto isso, uma novidade no mercado da comunicação é o surgimento do jornal Correio de Hoje. O veículo de propriedade do jornalista Alex Viana, do Agora RN, é diário e vespertino. Alex aposta na contramão da tendência de encolhimento do impresso e faz a aposta num modelo de jornal retrô, preto e branco, com diagramação e conteúdo como palavras cruzadas e horóscopo, além, é claro, do hardnews.
Mais um candidato
O psiquiatra e escritor de autoajuda Augusto Cury anunciou que pretende disputar a presidência da República nas eleições de 2026. A declaração foi feita por meio de uma carta aberta publicada em suas redes sociais, na qual afirmou que busca um partido para viabilizar a candidatura.
No texto, Cury explicou que a decisão faz parte de uma reflexão mais ampla sobre o futuro do país nas próximas décadas.
Novo modelo de negócio na publicidade
A WPP, gigante que faturou 13,55 bilhões em 2025, fechou um acordo inédito com a Jaguar Land Rover. Agora, parte do pagamento da agência dependerá diretamente dos resultados de vendas da montadora. O movimento rompe o modelo tradicional onde agências recebem valores fixos, independentemente do sucesso das campanhas. Com o setor de publicidade projetado para atingir US$ 1 trilhão até 2034, essa aposta no "risco compartilhado" deve virar a nova tendência global, forçando agências a serem tão parceiras de negócios quanto criativas.
Dois caminhos para o asfalto
Enquanto o Ceará "toma para si" a responsabilidade federal para acelerar a duplicação de rodovias estratégicas como a BR-020, o Rio Grande do Norte depende totalmente de parcerias para salvar sua malha interna. Em 2026, o governo potiguar depende de recursos do PAC e de acordos com o DNIT para concluir a restauração de 2 mil km de estradas.
Enquanto isso no Ceará
O governador Elmano de Freitas assinou um acordo inédito com o Ministério dos Transportes. O estado passará a gerir as obras de duplicação das BR-020 e BR-222. O projeto da BR-020 foi ampliado em 22 km, estendendo a melhoria até Canindé.
Agora vai
A proposta que extingue a reeleição no Brasil ganhou força no Congresso. Agora, quem está articulando a aprovação de um projeto nesse sentido é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República. O projeto prevê mandatos únicos de cinco anos para prefeitos, governadores e presidente, buscando evitar que a gestão pública fique refém de campanhas permanentes. Se ele vencer as eleições promete tirar um só mandato. Claro que nada impede que o pai dele seja o candidato a sucessão familiar.
A reforma também mira a unificação das eleições a partir de 2034, com a renovação total do Senado de uma só vez. Defensores apostam na alternância democrática, enquanto o texto segue para votação decisiva no Plenário.
A "Apple dos Tênis" em números
Diferente da maioria das marcas que fabricam no Vietnã, a suíça On concentra sua produção na Coreia e já colhe resultados explosivos. Com um faturamento anual que ultrapassa os US$ 2 bilhões, a empresa mantém margens de lucro elevadas, comparáveis às de gigantes da tecnologia. Seu valor de mercado na Bolsa de Nova York reflete o otimismo: a marca cresce em média 50% ao ano, consolidando-se como um fenômeno global. O segredo está no ticket médio alto e na tecnologia de amortecimento patenteada, que transformou corredores em clientes fiéis.
Novo Nordisk Corta Preços
Às vésperas da queda da patente da semaglutida, a Novo Nordisk anunciou uma agressiva redução de preços para segurar o mercado. A partir desta segunda-feira (2), o Rybelsus (versão em comprimido) terá combos com descontos de mais de 50%, baixando o custo de dois meses de R$ 2.586 para até R$ 1.130. Além disso, a primeira dose do Wegovy será gratuita na compra da unidade de tratamento. As medidas visam fidelizar pacientes antes que versões genéricas do remédio para obesidade e diabetes cheguem às farmácias no fim do mês.
Essa análise traz o "raio-X" da nossa indústria e explica por que a queda da patente do Ozempic é o assunto do momento para os laboratórios brasileiros.
Aqui está a nota consolidada para a sua coluna:
O Paradoxo Farmacêutico
A indústria farmacêutica brasileira faturou R$ 146,8 bilhões em 2025, mas revelou um forte abismo de valor agregado. Embora os laboratórios nacionais dominem 80% do volume de vendas (impulsionados pelos genéricos, onde detêm 94% do mercado), as multinacionais faturam quase a metade do setor com apenas 20% das unidades vendidas. O desafio permanece na inovação. O Brasil responde por apenas 26% do faturamento de remédios novos. A expectativa agora gira em torno do fim da patente do Ozempic, que deve dar o fôlego necessário para a indústria nacional subir um degrau na produção de alta tecnologia.
SUS lança teleatendimento para vício em "bets"
O Ministério da Saúde passou a oferecer apoio psicológico gratuito para usuários com problemas relacionados a jogos e apostas pelo aplicativo Meu SUS Digital. Em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, o serviço foca em maiores de 18 anos e seus familiares, com um investimento de R$ 2,5 milhões. A meta é realizar 600 atendimentos mensais via telessaúde, estratégia adotada para acolher quem evita o tratamento presencial por vergonha ou estigma social diante do vício em plataformas digitais.
O olho da Meta na sua intimidade
Se os óculos inteligentes são a evolução do celular, o risco à privacidade acaba de dobrar. Diferente de Apple e Google, que já foram multadas por áudios invasivos, a Meta agora pode estar te "assistindo". Dados dos Ray-Ban Meta são enviados ao Quênia, onde funcionários da empresa Sama revisam manualmente vídeos gravados após o comando "Hey Meta". Relatos indicam que cenas íntimas e senhas bancárias estão sendo expostas a terceiros sob a justificativa de treinar a IA.
Termos de uso e o contra-ataque
Escondida nos termos de serviço, a cláusula de "revisão manual" ignora a privacidade em nome do progresso técnico. Enquanto a Meta planeja incluir reconhecimento facial em futuros modelos, o mercado reage: a startup Spectre lançou esta semana o primeiro dispositivo capaz de bloquear gravações de áudio indesejadas em aparelhos inteligentes.
A invasão elétrica no topo das vendas
Pela primeira vez, um carro 100% elétrico liderou o varejo brasileiro: o BYD Dolphin Mini, com 4.094 emplacamentos em fevereiro. Fabricado em Camaçari (BA), o modelo impulsionou as marcas chinesas, que já detêm 20% do mercado nacional. A BYD, agora a 5ª maior montadora no país, planeja a liderança geral até 2030, sinalizando que a eletrificação deixou de ser nicho para redesenhar o poder na indústria automotiva global.
Uma dica para quem gosta de ciência: Um timelapse da história do universo até agora