debate band.webp

Debate esquece propostas e pauta pontos fracos dos concorrentes

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, realizado pela Band na noite deste domingo, marcou muito mais a tentativa de cada um partir para o confronto direto entre os três principais concorrentes, menos preocupados em apresentar propostas e mais empenhados em desconstruir os adversários.

Cada um procurou identificar no outro um ponto de vulnerabilidade e transformá-lo em marca eleitoral. O resultado foi um debate que antecipou algumas das principais linhas de ataque desse início da campanha e mostrou que a disputa promete ser muito mais sobre o passado e a imagem dos candidatos do que sobre os projetos que eles pretendem executar no governo.

O debate produziu três marcas que deverão acompanhar os candidatos na primeira fase da campanha. Álvaro terá de responder à acusação de ter deixado obras inacabadas em Natal. Alysson terá de administrar politicamente os ataques relacionados à Operação Mederi. Cadu terá de defender o governo Fátima e, ao mesmo tempo, convencer o eleitor de que representa uma opção capaz de conduzir o Estado nos próximos quatro anos.

Álvaro Dias, candidato do PL, terá de enfrentar desde o começo a tentativa dos adversários de consolidar a imagem de “prefeito das obras inacabadas”. A passagem pela Prefeitura de Natal será um dos principais alvos da campanha. Álvaro reagiu procurando defender o legado de sua administração e mostrar que obras criticadas pelos adversários precisam ser analisadas também pelo que representaram para a cidade.

Na discussão sobre a engorda de Ponta Negra, por exemplo, procurou mostrar a situação da praia antes da intervenção para justificar a obra e responder às críticas. A estratégia é, em vez de deixar que os adversários definam sua passagem pela Prefeitura, Álvaro apresentar as obras como parte de um legado administrativo.

Allyson Bezerra, candidato do União Brasil, entrou e saiu do debate sabendo que terá de conviver com uma frente de ataques diferente. A Operação Mederi deverá ser explorada pelos adversários durante a campanha, principalmente porque a operação levou a Polícia Federal a cumprir mandado de busca e apreensão em sua casa em Mossoró.

A questão do celular apreendido ganhou espaço no debate. Allyson foi cobrado por não ter liberado o acesso ao aparelho e reagiu com um desafio aos adversários. Disse que eles deveriam renunciar às candidaturas caso nada de irregular fosse encontrado no conteúdo do celular.

A resposta revela a estratégia que o prefeito de Mossoró deverá adotar. Em vez de recuar diante do assunto, ele tenta transformar a investigação em um confronto político e colocar os adversários diante de uma cobrança. Ao mesmo tempo, a operação oferece aos concorrentes um tema que deverá voltar ao horário eleitoral com força total na tentativa de derrubar o ex-prefeito de Mossoró da liderança das pesquisas.

Cadu Xavier fez uma escolha diferente. O candidato apoiado pelo PT assumiu desde o início o vínculo com o governo Fátima Bezerra. Não tentou construir uma candidatura distante da governadora nem esconder sua condição de integrante da administração estadual.

A decisão é compreensível. Cadu foi secretário de Fazenda e chega à disputa como candidato do grupo político que governa o Estado. Seria difícil tentar se apresentar como uma candidatura de mudança sem explicar por que é justamente o nome escolhido pelo grupo que está no poder.

A estratégia dos adversários, portanto, já está desenhada. Se Cadu tenta se apresentar como “Cadu de Lula”, os concorrentes deverão insistir na imagem de “Cadu de Fátima”, vinculando sua candidatura ao desempenho do atual governo estadual.

Por fora, o candidato do PSOL, Robério Paulino, foi o franco atirador, como não disputa a eleição com chances reais de vitória, o candidato esquerdista atirou contra Allyson e Álvaro, a quem atribui a pecha de candidatos de direita, defendeu o governo Lula, e não poupou críticas a honestidade dos adversários e à gestão dos dois ex-prefeitos em suas respectivas cidades.

Foi uma disputa de narrativas. Cada candidato procurou descontruir o adversário antes que o adversário conseguisse construir uma imagem positiva de si próprio.

As propostas ficaram em segundo plano. O debate serviu principalmente para testar quais ataques funcionam, quais respostas conseguem neutralizá-los e quais assuntos deverão dominar os próximos confrontos.

 


Notícias relacionadas

Mais lidas

Perfil

Foto de perfil de Heverton Freitas

Heverton de Freitas