Walter Maciel.jpg

CEO da AZ Quest defende cortes em aposentadorias

O ajuste das contas públicas no Brasil deveria começar pela revisão dos gastos com aposentadorias, pela redução dos salários iniciais do funcionalismo e pelo controle das despesas do Judiciário. A avaliação é de Walter Maciel, CEO da AZ Quest, gestora de investimentos que administra cerca de R$ 35,4 bilhões em ativos, em entrevista à Folha de S Paulo. 

Maciel defende que um eventual governo de Flávio Bolsonaro priorize essas medidas antes de enfrentar temas politicamente mais delicados, como as emendas parlamentares e as renúncias fiscais. Para ele, o governo deveria concentrar os esforços iniciais em despesas sobre as quais teria maior capacidade de intervenção.

Na avaliação do executivo, a desvinculação dos benefícios previdenciários dos reajustes do salário mínimo poderia gerar uma economia de R$ 1,2 trilhão. A proposta significaria alterar a regra que vincula os benefícios previdenciários ao piso nacional, permitindo que aposentadorias e pensões deixassem de acompanhar os aumentos reais concedidos ao salário mínimo. “Não existe o aposentado receber o crescimento futuro mais inflação. O cara participou do crescimento passado. Você tem que protegê-lo da perda real. A inflação tem que ser corrigida”, afirmou Maciel.

Maciel também defende uma reforma administrativa que reduza os salários de entrada no serviço público, controle a progressão das carreiras e vincule parte da remuneração a bônus por produtividade. Ele ainda propõe rever os pagamentos adicionais recebidos por integrantes do Judiciário, conhecidos como penduricalhos.

O executivo estima que o desequilíbrio fiscal brasileiro corresponda a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em vez de tentar eliminar todo o déficit de uma vez, considera viável promover um ajuste equivalente a 1% do PIB no primeiro ano de governo e sinalizar a continuidade das medidas nos anos seguintes.

Na estratégia sugerida por Maciel, o combate às emendas parlamentares e às renúncias fiscais ficaria para uma etapa posterior. Ele calcula que as emendas representem cerca de R$ 60 bilhões e argumenta que mudanças em benefícios tributários, como os concedidos à Zona Franca de Manaus, poderiam provocar conflitos políticos no início do mandato.

O executivo também recomenda evitar um confronto imediato com o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, um governo que tente avançar simultaneamente sobre o ajuste fiscal, a relação com o Judiciário e outras disputas políticas corre o risco de dispersar forças e comprometer seus objetivos econômicos.

Maciel afirma que a redução consistente das despesas públicas poderia contribuir para a queda dos juros, a valorização do real e a ampliação dos investimentos. Ele também critica decisões governamentais que, em sua avaliação, alteram regras sem negociação prévia com o Congresso e criam insegurança para investidores.

O que é a AZ Quest

Fundada em 2001, a AZ Quest é uma gestora independente de recursos que passou a integrar o grupo italiano Azimut em 2015. A empresa administra fundos destinados a investidores individuais, empresas, fundos de pensão e instituições financeiras, com estratégias que incluem renda fixa, ações, crédito privado, investimentos internacionais, agronegócio, infraestrutura e ativos imobiliários.

Segundo informações institucionais, a gestora possui mais de 25 anos de atuação no mercado e mantém uma plataforma diversificada de fundos. O patrimônio sob gestão informado em sua página de fundos era de aproximadamente R$ 35,4 bilhões em outubro de 2026.

Walter Maciel está à frente da empresa desde 2011. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ele ingressou na Quest Investimentos em 2006, antes da associação com o grupo Azimut.

Com informações da Folha de S Paulo


Notícias relacionadas

Mais lidas

Perfil

Foto de perfil de Heverton Freitas

Heverton de Freitas