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CEO da Air Canadá cai por não falar francês

A crise de imagem que atingiu a Air Canada após um acidente fatal nos Estados Unidos acabou derrubando o principal executivo da companhia. O CEO Michael Rousseau anunciou que deixará o cargo até o fim do terceiro trimestre de 2026, depois de dias de forte repercussão negativa provocada por um vídeo institucional considerado insensível em meio ao luto.

O episódio teve início na semana passada, quando um voo da subsidiária Air Canada Jazz colidiu com um caminhão de bombeiros na pista do aeroporto LaGuardia, em Nova York. Os dois pilotos, Antoine Forest e Mackenzie Gunther, morreram no acidente e foram posteriormente reconhecidos por especialistas como decisivos para evitar uma tragédia ainda maior entre os passageiros.

Na tentativa de prestar condolências, a empresa divulgou um vídeo de quatro minutos com Rousseau. A mensagem, no entanto, foi feita praticamente toda em inglês, com apenas duas palavras em francês — “bonjour” e “merci” —, o que gerou indignação imediata, especialmente no Quebec. A província abriga a sede da companhia, em Montreal, e tem no francês seu idioma oficial, além de forte sensibilidade política e cultural em torno da preservação da língua.

A reação foi rápida e contundente. O primeiro-ministro Mark Carney classificou a manifestação como “extremamente decepcionante” e apontou falta de compaixão. O gabinete do comissário para as línguas oficiais registrou mais de 2 mil queixas, enquanto parlamentares de Quebec aprovaram moção pedindo a saída do executivo.

Pressionado, Rousseau pediu desculpas públicas e admitiu que sua incapacidade de se comunicar em francês acabou desviando o foco da homenagem às vítimas. Disse que, apesar de anos de estudo, ainda não consegue se expressar adequadamente no idioma — o que ampliou a incredulidade, já que ele vive em Montreal há mais de uma década e já havia sido criticado anteriormente pelo mesmo motivo.

O caso expôs não apenas uma falha de comunicação em um momento sensível, mas também um desalinhamento estratégico com a identidade institucional da empresa e as exigências legais do país, que determinam o uso de inglês e francês em comunicações oficiais. Diante da pressão política, institucional e pública, a permanência de Rousseau tornou-se insustentável, selando uma saída que simboliza o peso que a questão linguística ainda exerce no Canadá.


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