O debate promovido pela TV Tropical nesta segunda-feira (21) teve como principal confronto a troca de críticas entre Cadu Xavier (PT) e Allyson Bezerra (União Brasil), que disputaram também a apresentação de propostas para áreas consideradas centrais na campanha, como educação, segurança e saúde. Álvaro Dias (PL) não participou porque acompanhava o presidenciável Flávio Bolsonaro em agenda política em Natal.
Na educação, os dois principais candidatos presentes, bem como o candidato do PSOL, Robério Paulino, apresentaram uma promessa semelhante e de grande alcance. Os 3 disseram que, se eleitos, pretendem levar o ensino em tempo integral a todas as escolas da rede estadual.
A dimensão da proposta pode ser medida pelo tamanho do desafio. O Rio Grande do Norte tem atualmente 585 escolas estaduais ativas, distribuídas pelos 167 municípios. Desse total, 248 funcionam em tempo integral, atendendo mais de 34 mil estudantes. Isso significa que cerca de 337 unidades ainda precisariam ser incorporadas ao modelo para que a promessa fosse cumprida integralmente.
Allyson acrescentou uma proposta que não havia aparecido com o mesmo destaque na campanha. Prometeu ampliar para sete meses a licença-maternidade das servidoras estaduais. Segundo o candidato, a medida já foi implantada durante sua administração em Mossoró e seria levada para o governo estadual.
O candidato também prometeu cinco refeições diárias nas escolas de tempo integral e apresentou o Pix PAE estadual, com pagamento mensal de R$ 200 para estudantes de baixa renda e um prêmio anual de R$ 1 mil para o aluno de destaque da rede pública.
Cadu, por sua vez, apresentou a educação como parte de um programa mais amplo de expansão de políticas sociais. Além do ensino integral em toda a rede, prometeu acrescentar R$ 50 ao benefício do Pé de Meia. Na saúde, apresentou o programa Saúde no Tempo Certo, com telemedicina e centrais regionais de diagnóstico para reduzir as filas de cirurgias eletivas.
O debate, entretanto, foi marcado principalmente pelas críticas entre os dois candidatos. Cadu explorou a administração de Allyson em Mossoró para questionar sua capacidade de administrar o Estado. Citou o não funcionamento noturno e nos fins de semana da unidade de saúde que o prefeito apresenta como hospital municipal, além de problemas apontados na estrutura de escolas e na infraestrutura de bairros periféricos.
Allyson respondeu levando a discussão para a segurança pública estadual. Citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública para afirmar que o Rio Grande do Norte registrou aumento de 19,6% nas mortes violentas e de 153,9% nas mortes de crianças e adolescentes de até 17 anos. Defendeu mais investimentos, melhores condições de trabalho e participação dos policiais na escolha dos comandantes das corporações.
Na segurança, Cadu propôs instalar videomonitoramento nos 167 municípios, aumentar o efetivo e valorizar os policiais. Allyson afirmou que pretende ampliar os investimentos e mudar a relação do governo com as forças de segurança.
O confronto revelou Cadu associando Allyson aos problemas que atribui à gestão de Mossoró e defender a continuidade das políticas sociais vinculadas ao governo Lula. Allyson apresentou sua experiência como prefeito como credencial para governar o Estado e procurou transformar os indicadores de segurança na atual gestão em uma das principais críticas ao atual governo.