A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia a partir de 1º de maio deve abrir uma nova fase para a fruticultura do Rio Grande do Norte, com impacto direto sobre as exportações de melão e melancia, dois dos principais produtos do estado.
Com a vigência provisória do tratado, frutas brasileiras começarão a entrar no mercado europeu com redução gradual de tarifas e, em alguns casos, com isenção imediata. Embora a uva tenha tarifa zerada já no início, o efeito mais relevante para o RN deve ocorrer sobre o melão, principal produto da pauta local.
Atualmente, o melão exportado para a União Europeia paga cerca de 9% de tarifa. Pelo acordo, essa cobrança será reduzida progressivamente até chegar a zero em um prazo de sete anos. A melancia seguirá o mesmo cronograma.
Na prática, a redução das tarifas aumenta a competitividade do produto potiguar no exterior, especialmente na Europa, que já concentra a maior parte das compras. Países como Holanda, Reino Unido, Espanha e Alemanha estão entre os principais destinos das frutas produzidas no Nordeste.
O Rio Grande do Norte lidera a produção e exportação de melão no Brasil. A atividade está concentrada no polo Mossoró e Vale do Açu, onde a fruticultura irrigada se consolidou como um dos motores da economia regional, com forte geração de empregos.
Grande parte da produção local é voltada ao mercado externo, o que faz com que qualquer redução de barreiras comerciais tenha impacto direto sobre a economia do estado. Nos últimos anos, o setor já vinha em expansão, com aumento expressivo no valor exportado.
Além de reduzir custos, o acordo amplia as oportunidades de ganho de mercado em períodos estratégicos, quando há menor oferta de concorrentes europeus. Com isso, produtores do Nordeste conseguem ampliar embarques e consolidar presença no exterior.
A expectativa é de que a queda das tarifas estimule novos investimentos, amplie a produção e fortaleça toda a cadeia logística ligada às exportações. O impacto, no entanto, tende a ocorrer de forma gradual no caso do melão e da melancia.
Mesmo assim, o acordo é visto como um avanço importante para a fruticultura nordestina. Para o Rio Grande do Norte, a medida pode representar um novo ciclo de crescimento, com efeitos diretos sobre emprego, renda e desenvolvimento no interior.