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RN sobe 8 posições no Ranking de Competitividade dos Estados, mas segue em último lugar em gasto com pessoal

O Rio Grande do Norte protagonizou em 2025 o maior avanço no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), organização fundada em 2008 que se dedica a formar líderes e estimular a eficiência da gestão pública no Brasil. Criado em 2011, o ranking é atualizado anualmente com base em dados oficiais e reúne 10 pilares temáticos, que vão da segurança e educação à solidez fiscal, infraestrutura, meio ambiente e inovação. O objetivo é medir, de forma comparativa, a capacidade dos estados em promover desenvolvimento econômico e social por meio da boa governança. Para os gestores, é uma ferramenta de diagnóstico que aponta onde estão os avanços e as fragilidades; para a sociedade, um instrumento de cobrança e de pressão por resultados.

Na edição de 2025, o RN subiu oito posições no ranking geral, saindo da 24ª para a 16ª colocação. O desempenho foi puxado por ganhos em áreas sensíveis. O estado alcançou o 4º lugar em segurança pública, depois de avanços em indicadores como “Mortes a Esclarecer”, em que saltou do 19º para o 6º lugar, além da redução de acidentes de trânsito e melhora no combate à violência sexual. Houve ainda progressos relevantes em infraestrutura (17º lugar, após ganho de 13 posições) e em sustentabilidade ambiental (17º, após ganho de 10). Até a eficiência da máquina pública apresentou sinais de evolução, em especial no equilíbrio de gênero nas remunerações do serviço público.

Esses avanços são, sem dúvida, uma boa notícia. Mas o ranking também acende um sinal vermelho para os governantes e para os candidatos que disputarão o comando do estado em 2026. O maior problema está no pilar da solidez fiscal, em que o RN amarga a 26ª posição, penúltimo lugar do país, e ocupa a última colocação em gasto com pessoal. O dado mais alarmante, revelado em reportagem recente da Tribuna do Norte, mostra que o estado destina 72% da receita total com o pagamento de pessoal, incluindo os inativos e pensionistas. Esse desequilíbrio compromete a capacidade de investimento e cria um círculo vicioso que dificulta a execução de políticas públicas em saúde, educação e infraestrutura.

Na educação, o estado até subiu duas posições, chegando à 19ª colocação, mas segue em último lugar no IDEB da rede estadual e registrou queda tanto na taxa de frequência líquida do ensino médio quanto no desempenho no Enem. O RN também ocupa a última posição nacional em serviços públicos digitais, revelando a dificuldade em modernizar e aproximar o governo do cidadão.

O RN mostrou que pode avançar quando há prioridade, o que parece ser o caso da segurança pública  onde houve investimentos em equipamentos, melhorias salariais e mais pessoal, mas o peso da folha de pessoal e a crise da educação continuam sendo obstáculos centrais. Para os eleitores, os números devem servir de bússola: em 2026, não bastará discutir apenas quem vai governar, mas principalmente como governar para equilibrar as contas, modernizar o serviço público e transformar os avanços recentes em desenvolvimento sustentável. O ranking do CLP, ao revelar com clareza onde o estado melhora e onde falha, antecipa a pauta da próxima eleição.


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Heverton de Freitas