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Senado vale bilhões para os partidos

A disputa pelas 54 cadeiras do Senado que estarão em jogo nas eleições de outubro ganhou uma dimensão que vai além da composição política do Congresso. A formação das bancadas na Casa também interfere diretamente no volume de recursos que os partidos terão para financiar suas campanhas nas eleições seguintes.

A informação foi destacada pelo Estadão em reportagem sobre a corrida pelas vagas do Senado. Pela regra do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, 15% dos recursos são distribuídos aos partidos de acordo com o número de senadores que cada legenda possui. Em 2026, essa parcela representa cerca de R$ 744 milhões.

O cálculo significa que cada cadeira no Senado corresponde, na distribuição atual, a aproximadamente R$ 9,1 milhões para o partido. O efeito, portanto, não termina na eleição de outubro. O resultado das urnas deste ano também terá impacto sobre a distribuição do Fundo Eleitoral nas eleições de 2028 e 2030.

A regra é definida pela Lei das Eleições e considera, para o cálculo de 2026, a composição resultante das eleições de 2022. O TSE confirma que 15% do Fundo Eleitoral são repartidos proporcionalmente à representação dos partidos no Senado, enquanto 48% seguem o tamanho das bancadas na Câmara, 35% consideram a votação para deputado federal e 2% são distribuídos igualmente entre os partidos registrados. 

O Fundo Eleitoral de 2026 soma R$ 4,961 bilhões, segundo os dados oficiais do TSE. Na distribuição já divulgada pelo tribunal, o PL aparece com a maior fatia, de R$ 881,7 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615,4 milhões, e pelo União Brasil, com R$ 526,2 milhões. 

É por isso que os grandes partidos tratam a eleição para o Senado como uma disputa estratégica. A direita busca ampliar sua presença na Casa para fortalecer a oposição ao governo Lula e influenciar temas como processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, indicações de autoridades e outras matérias que dependem da atuação do Senado.

O PT também decidiu ampliar sua ofensiva. A legenda lançou 19 candidatos ao Senado, segundo o Estadão, numa tentativa de conter o avanço da direita e preservar espaço político na Casa. O PL, por sua vez, estabeleceu como meta ampliar ainda mais sua bancada.

A dimensão financeira ajuda a explicar o empenho das legendas. O PL, que já lidera a distribuição do Fundo Eleitoral em 2026, recebeu cerca de R$ 138 milhões em razão de sua representação no Senado. Se a legenda alcançar a meta de 26 senadores mencionada pelo presidente nacional Valdemar Costa Neto, o valor associado às cadeiras chegaria a aproximadamente R$ 239 milhões, tomando como referência a distribuição atual.

Para partidos menores, o efeito pode ser ainda mais significativo. O Estadão cita o caso da Rede, que teve uma redução expressiva de recursos depois de perder representação no Senado. A legenda recebeu cerca de R$ 82 milhões em valores corrigidos em 2022. Para 2026, sua previsão caiu para aproximadamente R$ 36 milhões.

A eleição de senadores, portanto, produz dois resultados simultâneos. Define a correlação de forças políticas na principal Casa legislativa para temas como impeachment de ministros do STF e aprovação de autoridades e também interfere na capacidade financeira dos partidos para disputar as eleições seguintes.

 


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