A troca no comando da comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro abriu uma nova frente de tensão dentro do PL e colocou o senador potiguar Rogério Marinho no centro das articulações e críticas internas do grupo bolsonarista.
A crise ganhou força após a divulgação de diálogos em que Flávio aparece pedindo recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, aliados passaram a questionar decisões estratégicas da campanha, sobretudo após o anúncio da nova equipe de comunicação.
Em comunicado divulgado na segunda-feira, Rogério Marinho, coordenador-geral da pré-campanha, confirmou o jornalista Alexandre Oltramari como novo marqueteiro e coordenador de comunicação. Também anunciou a chegada do publicitário Eduardo Fischer como consultor estratégico responsável pelas diretrizes de comunicação e posicionamento político da campanha.
A mudança retirou do núcleo principal o publicitário Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, que era considerado um dos nomes de maior confiança da família Bolsonaro. A saída dele provocou desconforto entre aliados próximos do ex-presidente, especialmente entre integrantes da ala mais fiel do bolsonarismo.
Nos bastidores, integrantes do PL atribuem diretamente a Rogério Marinho a escolha da nova equipe. Parte dos aliados reclama do que classificam como um estilo “centralizador” do senador potiguar na condução da pré-campanha e defende que Flávio reassuma o comando mais direto das decisões políticas e estratégicas.
A principal resistência interna recai sobre Eduardo Fischer. Ex-sócio do publicitário Roberto Justus na agência Fischer & Justus, ele construiu carreira no mercado publicitário privado, sobretudo em campanhas do setor de bebidas, mas tem pouca experiência recente em disputas eleitorais. Seu principal trabalho político foi na campanha presidencial de Álvaro Dias, em 2018, encerrada com menos de 1% dos votos válidos.
Interlocutores ligados a Rogério Marinho, no entanto, minimizam as críticas. Segundo aliados do senador, a escolha de Oltramari e Fischer teria sido feita em conjunto com Flávio Bolsonaro e faz parte de um processo de profissionalização da campanha. A avaliação desse grupo é que Oltramari agrega experiência em campanhas de maior complexidade, enquanto Fischer atuaria mais na área criativa e estratégica da comunicação.
A crise também expôs divisões dentro do próprio entorno bolsonarista. Após deixar a equipe, Marcello Lopes recebeu manifestações públicas de apoio de aliados influentes, como o advogado e empresário Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, Wajngarten afirmou que Lopes foi alvo de “ataques covardes” e de uma operação de desgaste interno.
Até o momento, Rogério Marinho, Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer não comentaram publicamente as críticas.