O Rio Grande do Norte registrou em 2023 apenas 12,5% dos jovens que concluíram o ensino médio até os 18 anos com aprendizado adequado em matemática, segundo o Índice de Inclusão Educacional (IIE). O resultado coloca o estado entre os piores desempenhos do país e evidencia os efeitos prolongados da pandemia sobre o ensino da disciplina.
No Brasil, o indicador nacional caiu de 25,5% em 2019 para 21,4% em 2023, uma redução de 4,1 pontos percentuais. Na prática, apenas dois em cada dez jovens concluem a educação básica com o conhecimento esperado em matemática.
O IIE foi desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura e combina dados do Saeb, do Censo Escolar e da PNAD Contínua para medir a conclusão na idade adequada com aprendizado mínimo.
De acordo com o Saeb, o nível essencial em matemática corresponde a 300 pontos na escala de proficiência. Abaixo desse patamar, os estudantes têm dificuldade para resolver problemas com porcentagens, interpretar gráficos e lidar com situações do cotidiano.
No cenário pós-pandemia, nenhum estado brasileiro atingiu 30% de jovens com aprendizado adequado em matemática na idade certa. Estados que lideravam o ranking antes da pandemia, como São Paulo, Goiás, Paraná e Distrito Federal, registraram quedas expressivas.
No Norte e no Nordeste, os índices seguem entre os mais baixos. Em 2023, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão e Bahia ficaram abaixo de 12%. O RN aparece com 12,5%, abaixo da média nacional.
Para o Instituto Natura, os dados revelam um problema estrutural. “Tivemos uma geração excluída do aprendizado em matemática”, afirma David Saad, diretor-presidente da instituição, que defende metas e políticas públicas específicas para a disciplina.