Enquanto a maioria das unidades federativas brasileiras aproveita o atual ciclo político para acelerar obras e entregas estruturais, o Rio Grande do Norte (RN) amarga um retrocesso fiscal severo que o coloca em uma posição de vulnerabilidade. Segundo dados publicados pelo jornal Valor Econômico e consolidados pela Aequus Consultoria, o estado registrou uma queda real de 25,1% nos investimentos em 2025 em relação ao ano anterior. Esse desempenho isola o RN em um cenário negativo, sendo o segundo pior resultado de toda a federação, superado apenas pelo estado do Tocantins, que teve uma retração ainda mais acentuada, de 27,6%.
No plano regional, o contraste é ainda mais gritante. Enquanto o RN reduz sua capacidade de transformar impostos em obras, seus vizinhos no Nordeste vivem um momento de expansão acelerada. Estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará, Sergipe e Maranhão não apenas aumentaram seus aportes, como figuram no topo do ranking nacional com altas reais superiores a 30%. A Paraíba, por exemplo, elevou seus investimentos em quase 40%, consolidando um ritmo de crescimento que o governo potiguar parece incapaz de acompanhar sob as atuais condições orçamentárias.
O fenômeno que sustenta esse aumento nacional, mas que pune o RN, é explicado pelo que especialistas chamam de queima de caixa. A reportagem destaca que a reserva financeira líquida total dos estados brasileiros sofreu um esvaziamento drástico, caindo de R$ 91,71 bilhões em 2022 para apenas R$ 29,41 bilhões em 2025. O RN já opera historicamente com margens financeiras muito apertadas, sem o fôlego de caixa que outros entes federativos acumularam em anos anteriores.
O economista Alberto Borges, sócio da Aequus, aponta para um desequilíbrio perigoso que afeta diretamente a saúde das contas públicas. Ele alerta que as despesas correntes — especialmente as outras despesas correntes, rubrica que exclui os salários mas engloba o custeio geral da máquina — cresceram 6,2% em termos reais, superando de longe o avanço das receitas, que foi de apenas 2,6%. Esse descasamento entre o que entra e o que sai cria o chamado efeito tesoura, onde o custeio consome o espaço que deveria ser destinado a hospitais, estradas e segurança.
Quando um estado reduz seus investimentos de forma tão drástica e, simultaneamente, apresenta queda no saldo de caixa, como é o caso do RN, isso indica que as reservas estão sendo drenadas apenas para manter a máquina pública funcionando, pagando salários e despesas fixas. Na prática, o governo potiguar não possui gordura ou margem de manobra para suportar qualquer frustração de receita que possa ocorrer em 2026, ano em que o cenário econômico global e nacional projeta uma desaceleração.
Embora o país tenha registrado um salto médio de 7,9% nos investimentos, impulsionado por repasses federais e pela arrecadação de impostos como o ICMS, o RN não conseguiu converter esses fluxos extras em melhorias permanentes. Sem novos recursos provenientes de operações de crédito ou um controle rigoroso de gastos correntes, o estado corre o risco de entrar em um processo de estagnação logística e social, perdendo competitividade frente aos vizinhos nordestinos que seguem renovando suas infraestruturas.