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Quem discute com poste é bêbado

A decisão do presidente Lula de trocar o debate da Globo por uma entrevista ao Flow Podcast reabriu uma velha discussão das campanhas: candidatos que lideram as pesquisas ganham ou perdem ao evitar confrontos na televisão?

Ao justificar a ausência, Lula afirmou que debates com muitos participantes se tornaram "infrutíferos" e servem cada vez mais para a produção de cortes para redes sociais, frases de efeito e tentativas de "lacração", em vez de uma discussão aprofundada sobre propostas de governo. O petista também voltou a criticar a Globo por não ter realizado debates presidenciais em 1994 e 1998, alegando que a emissora evitava expor o então presidente Fernando Henrique.

Do outro lado, o candidato Flávio Bolsonaro acusou Lula de fugir do confronto direto com os adversários e afirmou que decisões do Judiciário acabaram beneficiando o presidente ao alterar as regras do debate horas antes do evento. Mas em 2018 o então candidato Jair Bolsonaro também não foi a debates e reproduziu a frase de Gustavo Bebiano "quem discute com poste é bêbado". 

Mas a história eleitoral brasileira mostra que faltar a debates nem sempre traz prejuízo para quem está na frente.

Em 2006, o próprio Lula deixou de comparecer ao último debate da Globo antes do primeiro turno. Na época, alegou que o encontro se transformaria numa arena de ataques pessoais em meio à crise política do mensalão. A emissora manteve uma cadeira vazia com o nome do presidente. Mesmo assim, Lula acabaria reeleito.

Antes dele, FHC também venceu uma eleição sem participar de debates no primeiro turno. Em 1998, a Globo não realizou o confronto presidencial. Segundo a emissora, as regras eleitorais da época e o elevado número de candidatos tornavam o formato inviável. Aliados de FHC alegavam ainda que o presidente precisava concentrar-se na gestão da crise econômica internacional daquele período.

Quem discute com poste é bêbado

Em outubro de 2018, quando Jair Bolsonaro liderava as pesquisas de segundo turno, ele tomou exatamente a mesma decisão: recusou-se a ir aos debates da TV contra Fernando Haddad. Seu coordenador de campanha Gustavo Bebiano cunhou a famosa frase ‘quem discute com poste é bêbado e o próprio Bolsonaro disse em entrevista ao UOL que a ida ou não a debate seria tomada de forma estratégica pela campanha e declarou que ele não se submeteria a um 'estresse voluntário'.

Na política é assim, o que hoje chamam de covardia, antes era “estratégia inteligente e preservação''. e vice-versa. 


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