Pelo menos mil animais foram resgatados no primeiro trimestre deste ano em operações da Polícia Civil de São Paulo contra grupos envolvidos com zoosadismo, prática criminosa que consiste em violência contra animais transmitida ao vivo em plataformas digitais.
As informações foram reveladas em reportagem da Folha de S.Paulo com base em dados do Noad, núcleo especializado em crimes digitais da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego, responsável pelo setor, o zoosadismo funciona como porta de entrada para crimes mais graves, como estupro virtual, incentivo à automutilação, indução ao suicídio e até ataques a escolas.
As investigações apontam que parte das ações ocorre em servidores privados do Discord, plataforma popular entre jovens e comunidades de jogos online. Os grupos usam transmissões ao vivo para divulgar maus-tratos, estimular desafios violentos e criar vínculos entre participantes.
A polícia afirma que cerca de 90% dos casos monitorados envolvem gatos, principalmente filhotes. Os animais seriam escolhidos por serem mais vulneráveis e mais fáceis de manipular durante as transmissões.
Dados obtidos pela Folha mostram aumento nos registros de maus-tratos contra gatos. Foram 175 ocorrências em 2024 e 340 no ano passado. A projeção para 2026 é de nova alta.
O Noad monitora entre 10 e 15 episódios de violência contra animais transmitidos ao vivo durante as madrugadas. Em um dos casos, uma adolescente em Fortaleza planejava matar o próprio gato em uma transmissão organizada pela internet. A ação foi impedida após cooperação entre as polícias civis de São Paulo e do Ceará.
Em nota citada pela reportagem, o Discord afirmou que mantém políticas rígidas contra abuso de animais e conteúdos violentos, além de investir em ferramentas de segurança e monitoramento preventivo.