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Lula deverá ter palanque duplo na Paraíba

Nos esforços do PT para consolidar seus palanques estaduais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adotar na Paraíba a estratégia de palanque duplo entre os principais candidatos ao governo, em uma tentativa de ampliar sua base de apoio à reeleição ao Palácio do Planalto.

A disputa local, no entanto, tem exposto divisões entre Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. No Estado natal do parlamentar, a tendência é que o diretório nacional do PT evite declarar apoio público a Nabor Wanderley, pai de Motta e pré-candidato ao Senado, ainda que o diretório estadual do partido tenha declarado apoio à sua chapa.

Atualmente, os principais nomes na disputa pelo governo paraibano são o ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena, do MDB, e o atual governador Lucas Ribeiro, do PP, que é apoiado pela família Motta.

A movimentação na Paraíba segue a mesma lógica prevista para Pernambuco e visa garantir que os candidatos mais bem posicionados na disputa local enalteçam a figura de Lula ao longo do período eleitoral ou mantenham neutralidade na corrida ao Executivo federal.

Dessa forma, Lula evita que os principais nomes na disputa apoiem outros candidatos à Presidência. A posição de Lula é respaldada pelo PT nacional e se apoia na sinalização de apoio à sua reeleição tanto por parte de Cícero Lucena quanto de Lucas Ribeiro.

Porém, embora haja essa decisão de não interferência, o diretório estadual do PT já anunciou apoio à reeleição do atual governador, com o objetivo de preservar a aliança e ampliar o palanque do presidente no Estado.

Ao Valor, a presidente do diretório estadual, Cida Ramos, apontou que, em um pleito disputado, apoio não se rejeita. Em uma eleição polarizada, onde democracia e soberania estão em jogo, cabem todos aqueles que fazem essa defesa, afirmou.

A decisão de apoio a Lucas Ribeiro foi tomada em reunião do diretório estadual em 11 de abril. Na resolução, o partido argumenta que, mais do que marcar posição local, é necessário priorizar os impactos da eleição presidencial. O texto defende a ampliação das alianças para dar suporte ao projeto de reeleição de Lula.

Nesse contexto, o PT paraibano condiciona o apoio nas disputas estaduais, tanto ao governo quanto ao Senado, ao alinhamento com a candidatura presidencial. Como parte das negociações, o partido também pleiteia a indicação do vice na chapa encabeçada por Lucas Ribeiro.

A definição da vice, no entanto, é alvo de disputa. Hugo Motta tem defendido que a decisão seja postergada o máximo possível. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Adriano Galdino, também quer ocupar a posição. Além disso, o PDT é mais uma sigla que disputa o espaço.

A falta de consenso entre o PT estadual, Lula e Motta se estende à disputa pelo Senado, onde há resistência a um eventual apoio ao pai do presidente da Câmara. Nos bastidores, o argumento é que outros nomes competitivos, como o ex-governador João Azevêdo, do PSB, e o senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, já tendem a apoiar Lula.

Apesar disso, aliados apontam maior aproximação entre Lula e Hugo Motta nos últimos tempos. Recentemente, eles participaram de agendas conjuntas em Brasília e têm discutido pautas de interesse do governo. O presidente da Câmara também trabalhou para honrar o acordo feito com o PT e indicar o deputado Odair Cunha (PTMG) para ser ministro doTCU. Na semana passada, Lula e Motta participaram de um evento juntos e demonstraram proximidade. 

Valor Econômico


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