O novo Book de Empreendimentos 2026, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia, mostra um Nordeste fortemente inserido na agenda federal de transição energética e expansão da infraestrutura. No entanto, ao detalhar os projetos emblemáticos por estado, o documento praticamente não traz empreendimentos estruturantes localizados no Rio Grande do Norte.
O levantamento reúne 826 projetos e mais de R$ 1,2 trilhão em investimentos mapeados até 2032. Segundo o ministro Alexandre Silveira, o país consolida posição estratégica na corrida global por energia limpa, petróleo, gás e minerais críticos.
Bahia: mineração e combustíveis sustentáveis
A Bahia aparece entre os estados com maior diversidade de projetos. No setor de combustíveis sustentáveis, o documento destaca a biorrefinaria de SAF e diesel verde da Acelen, com investimento estimado em R$ 14,9 bilhões e previsão de 90 mil empregos.
Na mineração, o estado concentra projetos bilionários de minério de ferro, grafita, vanádio, cobre e fertilizantes, somando dezenas de bilhões de reais em aportes previstos.
Ceará: hub de hidrogênio verde
O Ceará é citado como polo estratégico para hidrogênio de baixo carbono. Entre os projetos listados está o Projeto Cactus, da Energia Verde Cactus Projetos e Participações, com investimento de R$ 5,7 bilhões.
Também aparece a planta de hidrogênio verde da AES Brasil Energia (Auren), prevista para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, reforçando a posição do estado como hub nacional do setor.
Pernambuco: e-metanol em Suape
Em Pernambuco, o destaque é o projeto de e-metanol no Porto de Suape, da Voltalia Energia do Brasil, com investimento estimado em R$ 12 bilhões. O empreendimento integra a estratégia de produção de combustíveis sustentáveis voltados ao mercado internacional.
Sergipe: gás e amônia verde
Sergipe também aparece no mapa federal com dois projetos relevantes. Um deles é o Projeto SEAP, da Petrobras, voltado à produção de óleo e gás em águas ultraprofundas.
O estado também é citado no projeto de amônia verde da Voltalia, dentro da estratégia de hidrogênio de baixo carbono.
Paraíba: complexo eólico
Na Paraíba, o documento destaca o Complexo Eólico Serra da Palmeira, da CTG Brasil, com investimento de R$ 2,74 bilhões e capacidade de 648 MW, reforçando o papel da energia eólica na região.
E o Rio Grande do Norte?
Apesar de ser líder nacional em geração de energia eólica e ter forte tradição no setor renovável, o Rio Grande do Norte não aparece entre os empreendimentos emblemáticos detalhados no documento.
O Rio Grande do Norte está inserido apenas em projetos estruturantes que impactam diretamente sua capacidade de crescimento no setor energético.
O Book de Empreendimentos 2026 destaca R$ 86 bilhões em investimentos em transmissão de energia no país, muitos deles voltados justamente para ampliar o escoamento da geração renovável do Nordeste para os grandes centros consumidores. A expansão da malha de transmissão é estratégica para o RN, que já enfrentou limitações de escoamento da energia eólica produzida no estado.
O documento também ressalta a consolidação do Sistema Interligado Nacional, hoje presente em todas as unidades federativas. Para um estado exportador de energia como o RN, a robustez e ampliação dessa rede são fundamentais para viabilizar novos parques eólicos e solares.
Além disso, a política federal voltada aos minerais críticos — com R$ 115 bilhões previstos em investimentos no país — abre espaço para estados com potencial geológico ainda em fase de mapeamento e estruturação, caso do Rio Grande do Norte.
Na prática, o estado aparece mais como beneficiário indireto da expansão regional do que como protagonista de grandes empreendimentos federais nesta edição do levantamento.
Se o Nordeste avança como epicentro da transição energética brasileira, o desafio do Rio Grande do Norte é transformar sua vocação natural em novos projetos estruturantes capazes de recolocá-lo no centro dos grandes anúncios federais.