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Flávio Rocha, os empregos e a participação política

Desde que o blog noticiou a realização de duas pesquisas que estão em andamento para testar as possibilidades de entrada de novos nomes na disputa pelo Senado nas eleições deste ano, entre eles o do empresário Flávio Rocha, o fato tem tido uma repercussão que mostra o quanto a entrada dele na disputa pode modificar os cenários até então projetados.

Em declaração exclusiva ao Território Livre, da jornalista Laurita Arruda, Rocha se afirmou surpreso de ter o nome lembrado de forma espontânea para o cargo e disse que permanece focado em suas atividades empresariais e em projetos de caráter social, descartando qualquer movimentação eleitoral por enquanto.

Esse “por enquanto” e a falta de uma declaração mais firme descartando a possiblidade de disputar o Senado é que animam os que pretendem convencê-lo a aceitar a candidatura. Aos 68 anos de idade e numa fase da vida em que a atuação no grupo Guararapes, agora tocado no dia a dia por um CEO, lhe dá mais espaço para participar da vida política institucional, embora ainda não partidária, a possibilidade de ser senador pode mexer com sua vontade de ter uma atuação que, mesmo fora das urnas, sempre se manifestou na vida política nacional.

A família Rocha continua muito influente nos meios empresariais brasileiros. No dia 17 de dezembro do ano passado, o sobrinho, Gabriel Kanner, reuniu em sua casa no Jardim Paulista, cerca de 50 empresários para um almoço com o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, costurando um apoio do mercado financeiro e do grande varejo que tem mais simpatia pelo nome do governador Tarcísio de Freitas. No encontro, conforme foi noticiado, o senador Bolsonaro se apresentou como figura equilibrada e buscando atrair o setor produtivo para seu lado.

O próprio Flávio Rocha criou o Instituto Brasil 200 em 2018, depois presidido por Gabriel Kanner, uma ONG que defende uma economia de mercado liberal e um estado de direito com limites de ação do governo. E continua firma na sua defesa da bandeira do Imposto Único, que assumiu quando foi deputado federal aos 28 anos de idade e chegou a embalar uma pré-candidatura à presidência da República em 94.

Também em 2018, ele se filiou ao Republicanos e voltou a ter uma pré-candidatura à Presidência da República lançada pelo partido, mas a medida que a campanha avançava ficou claro que o eleitor de direita já havia cristalizado o voto em Jair Bolsonaro, o que fez Rocha perceber que sua candidatura poderia apenas fragmentar a direita, dificultando uma vitória contra o PT. Ao desistir, ele declarou: "O momento exige a união de forças para evitar o retorno de um projeto de país que tanto prejudicou o Brasil."

Desde então, manteve atuação pontual no debate público, mas afastou-se da política partidária direta.

Na cúpula da pré-campanha do candidato Álvaro Dias ao governo foi bem recebida a possibilidade de Flávio Rocha compor a chapa ao Senado ao lado de Styvenson Valentim. Vários prefeitos com quem o candidato a vice, Babá Pereira, mantém contato, avaliaram como positiva a volta de Rocha à política. No meio empresarial, a possibilidade de consolidar a influência do setor varejista no Congresso Nacional, influenciando diretamente as pautas em votação naquela Casa, é vista com muito entusiasmo.

Numa época em que se fala da falta de lideranças no Rio Grande do Norte e no Brasil (quem sabe os nomes dos senadores por São Paulo atualmente?) o empresário Flávio Rocha, que é uma voz ouvida como representante do pensamento liberal nacional, desponta como uma oportunidade para melhorar a influência de uma bancada federal no Congresso.

Além disso, desde 2023, quando o grupo encerrou suas atividades industriais no Ceará para concentrar 100% da produção têxtil em Natal, a Guararapes praticamente dobrou o número de empregos gerados na região metropolitana, inclusive na linha de produção de jeans. Flávio Rocha também é um entusiasta do modelo de negócios que sustenta o Pró-Sertão, transformando a Riachuelo em uma plataforma que "compra o serviço" de milhares de pequenos empresários do sertão potiguar, garantindo que o desenvolvimento econômico chegue a cidades que antes viviam apenas da agricultura de subsistência ou do funcionalismo público, o que lhe daria a bandeira do emprego para apresentar ao eleitorado.

Do ponto de vista político, Flavio Rocha nega que esteja construindo candidatura, ou participando de articulações. No entanto, como é praxe na política, não fechou completamente a porta para o futuro e, segundo informações que chegaram ao blog, uma pesquisa qualitativa já está contratada para ajudar, dependendo do resultado, a convencê-lo a entrar na disputa.

 


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