A Planes Agropecuária, empresa com atuação na produção de cebola e melão no município de Parazinho, protocolou no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) um pedido de licença para instalar uma usina de biometano no interior da Fazenda Santo Antônio, no litoral Norte potiguar.
O empreendimento pretende aproveitar resíduos gerados pela atividade agrícola para produzir combustível renovável e biofertilizantes. A proposta insere a companhia em um segmento que ganha espaço no país ao combinar agronegócio e geração de energia limpa.
A Planes Agropecuária integra um grupo empresarial sediado em Pernambuco, ligado à área de engenharia e infraestrutura. No Rio Grande do Norte, a empresa concentra suas operações nos municípios de Parazinho e Jandaíra, onde desenvolve cultivos em larga escala voltados principalmente para o mercado atacadista.
A produção da fazenda tem como carro-chefe o melão, especialmente as variedades amarelo e pele de sapo, destinadas a centros consumidores do Nordeste e do Sudeste. A empresa também se destaca pela produção de cebola, uma das culturas que vêm ampliando a presença do Rio Grande do Norte no mercado nacional de hortifrúti.
Segundo o projeto apresentado ao órgão ambiental, a futura usina utilizará folhas, talos, frutos descartados e outros resíduos da colheita como matéria-prima. Todo esse material será encaminhado para biodigestores, equipamentos nos quais microrganismos promovem a decomposição da matéria orgânica e produzem biogás.
Após passar por um processo de purificação, o biogás será convertido em biometano, combustível capaz de substituir o gás natural e derivados do petróleo em diversas aplicações. O resíduo remanescente poderá ser reaproveitado como fertilizante nas próprias plantações.
A iniciativa busca integrar a cadeia produtiva agrícola à geração de energia renovável em uma região já marcada pela expansão dos parques eólicos e da fruticultura irrigada. Além de reduzir custos operacionais, sobretudo com irrigação e transporte, o projeto aposta no aproveitamento integral da produção.
Biometano avança com novos projetos e incentivos federais
A usina planejada pela Planes Agropecuária se soma a outros investimentos em biometano anunciados no Rio Grande do Norte nos últimos anos. O principal deles é o da Usina Estivas, em Arez, que firmou parceria com a empresa ZEG Biogás para implantar uma planta voltada à produção do combustível renovável a partir da vinhaça e de outros resíduos da cana-de-açúcar.
O projeto prevê investimentos superiores a R$ 45 milhões e capacidade para produzir cerca de 3 milhões de metros cúbicos de biometano por ano. A expectativa é abastecer a frota pesada da usina e atender consumidores industriais.
Na região metropolitana de Natal, a Marquise Ambiental também desenvolve estudos para instalar uma unidade de biometano aproveitando o gás gerado pela decomposição dos resíduos sólidos urbanos no aterro sanitário de Ceará-Mirim.
O avanço desses empreendimentos ocorre em meio à criação de um novo marco regulatório para o setor. Sancionada no ano passado, a Lei do Combustível do Futuro estabeleceu o Programa Nacional do Biometano e determinou a mistura gradual do combustível renovável ao gás natural comercializado no país.
A exigência começará em 1% a partir de 2026 e poderá alcançar 10% nos próximos anos, criando demanda para novos produtores e distribuidoras estaduais.
As usinas certificadas também poderão emitir Créditos de Descarbonização, os chamados CBIOs, negociados na Bolsa de Valores e utilizados para compensar emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, projetos de biometano podem acessar incentivos tributários federais, como o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, o Reidi, além de linhas de financiamento voltadas para a transição energética.