Fechada a janela partidária e com as nominatas praticamente definidas, o foco da eleição de 2026 no Rio Grande do Norte começa a migrar para a montagem das chapas ao Senado. O movimento ganhou força depois que a governadora Fátima Bezerra (PT) retirou seu nome da disputa. A decisão alterou um jogo que já estava com as cartas dadas.
Antes da saída da governadora, a mesa estava formada com o senador Styvenson Valentim (agora no Podemos) aparecendo como favorito consolidado para uma das vagas, enquanto a segunda seria disputada diretamente entre Fátima e a senadora Zenaide Maia (PSD). Era um desenho mais estável, com menos variáveis e maior previsibilidade sobre os polos da eleição.
Com a mudança, o quadro se fragmentou e abriu espaço para novas composições. Zenaide permanece como nome competitivo, com base política estruturada principalmente no interior e apoio de muitos prefeitos e lideranças, mas sem um nome visto como forte pelo eleitorado, mas passa a enfrentar um ambiente mais pulverizado, com maior número de atores buscando espaço.
No campo da oposição, Styvenson mantém a liderança no seu estilo do eu sozinho, tanto assim que ele mesmo negociou a formação da chapa avisando que a escolha dos suplentes seria dele mesmo que indicou assessores diretos para as vagas. Alinhado ao prefeito Álvaro Dias, ele forma a chapa o Coronel Hélio, que aposta na radicalização para manter o eleitorado legitimamente bolsonarista. A estratégia dele passa por concentrar votos em torno de dois nomes e explorar o comportamento do eleitor diante da possibilidade de escolher dois candidatos.
A esquerda também reorganiza seu tabuleiro. O PT trabalha a candidatura da vereadora Samanda Alves, enquanto o PDT ainda precisa resolver a disputa interna entre Rafael Motta e Jean Paul Prates. Que na verdade não é uma disputa. Jean Paul estava com a candidatura consolidada, mas ao que dizem apostava em ser o suplente de Fátima. Com ela, fora da disputa, o partido abriu as portas para o ex-deputado Rafael Mota que deve ser mesmo o companheiro de chapa de Cadu Xavier e Samanda Alves.
Outros movimentos reforçam o ambiente de incerteza. O empresário Flávio Rocha voltou ao debate ao se filiar ao Novo e transferir seu domicílio eleitoral para Natal, mantendo-se como opção. Ele foi convidado diretamente pelo candidato Álvaro Dias e tinha a simpatia também do prefeito Paulo Freire, mas foi vetado pelo presidente do PL, Rogério Marinho que quer manter o coronel Hélio, alimentando uma posição de extrema direita já que tanto Styvenson, como Álvaro não querem assumir o bolsonarismo. De toda forma, o dono da Riachuelo se mantém em condições jurídicas para ser candidato com um partido que lhe assegura a legenda e pode arriscar em voo solo ou um apoio indireto da direita não radical.
Também entra no radar o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. Embora ainda sem definição pública, ele passa a ser citado como possível alternativa desde que mandou fazer uma pesquisa para ver as suas possibilidades sem Fátima no páreo. Apesar disso, depois de ter formado uma nominata no PSDB, ficou mais estreito o caminho dele para ser senador porque seria um grande desfalque para o partido que aposta nele como puxador de votos.
Há ainda a variável envolvendo o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves. Filiado ao União Brasil, ele pode surgir como peça de composição em uma chapa ao lado de Zenaide e do prefeito de Mossoró, Alyson Bezerra. Nesse arranjo, a ideia seria abrir portas para o candidato a governador em Natal, onde enfrenta Álvaro Dias, outro ex-prefeito da cidade.
Com as convenções ainda longe, o quadro segue em aberto. A tendência é que as próximas semanas sejam marcadas por negociações, mas decisões mesmo só no final de julho.