As convenções partidárias realizadas neste final de semana encerra, a etapa de formação das chapas e abrem oficialmente a campanha eleitoral no Rio Grande do Norte. Embora os principais candidatos estejam nas ruas há meses, a disputa entra agora em um novo momento. Com a propaganda eleitoral autorizada a partir de 16 de agosto e o início do horário eleitoral gratuito em rádio e televisão marcado para 28 de agosto, as campanhas passam a concentrar esforços não apenas na apresentação de propostas, mas principalmente na construção da imagem dos candidatos e na desconstrução dos adversários.
A tendência é que os primeiros programas sejam dedicados menos às promessas e mais à tentativa de definir quem chegará fortalecido à reta decisiva da campanha. Em um cenário de três candidaturas competitivas, cada uma delas entra na disputa carregando vulnerabilidades que deverão ser exploradas pelos adversários, ao mesmo tempo em que prepara estratégias para neutralizar esses ataques.
Líder na maior parte das pesquisas divulgadas até o momento, Allyson Bezerra tende a ser o principal alvo da propaganda adversária. A lógica eleitoral costuma direcionar os ataques para quem ocupa a primeira colocação, numa tentativa de reduzir sua vantagem antes que a disputa se consolide. Foi um movimento semelhante ao observado na eleição para a Prefeitura de Natal em 2024, quando a campanha de Paulinho Freire concentrou boa parte da propaganda na desconstrução da candidatura de Carlos Eduardo.
No caso de Allyson, a Operação Mederi deverá ocupar espaço relevante no discurso dos adversários. A investigação, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, ainda está em andamento e apura supostas irregularidades em contratos da saúde da Prefeitura de Mossoró. Paralelamente, os concorrentes devem buscar desgastar a imagem da administração mossoroense. Nos bastidores da política o que se fala é numa decisão judicial que poderia levar o candidato a constrangimentos no desdobramento dessa operação que levou a PF a bater na porta da casa dele no começo deste ano.
A resposta da campanha de Allyson deverá ser justamente reforçar a principal marca construída desde o início da pré-campanha. O prefeito tem apresentado sua candidatura como um projeto de reconstrução do Rio Grande do Norte, procurando ocupar uma posição menos ideológica e mais administrativa. Seu discurso busca atrair eleitores de diferentes correntes políticas e vender a experiência acumulada na gestão de Mossoró como credencial para governar o Estado.
Outro trunfo do candidato é o tamanho da coligação formada nas convenções. Ao contrário do que ocorreu com Carlos Eduardo em Natal, em 2024, Allyson contará com um tempo significativo no horário eleitoral para responder aos ataques e apresentar sua narrativa. A estratégia de sua campanha passa por preservar a liderança nas pesquisas durante as primeiras semanas da propaganda, evitando que a polarização entre os campos liderados pelo PT e pelo PL reduza sua vantagem e altere a configuração da disputa pelo segundo turno.
Obras inacabadas
Álvaro Dias, por sua vez, deverá enfrentar uma campanha concentrada na ideia de que deixou obras importantes sem conclusão ao final da administração em Natal. O Hospital Municipal, o Mercado da Redinha e outras intervenções iniciadas durante sua gestão tendem a ser utilizados como símbolos dessa narrativa. Caso algumas dessas entregas, especialmente o hospital, não estejam plenamente em funcionamento durante o período eleitoral, o tema poderá ganhar ainda mais espaço no debate e a imagem de prefeito das obras inacabadas que vem sendo explorada pelos adversários sem uma resposta positiva por parte dos aliados deverá se consolidar.
A estratégia do ex-prefeito será inverter essa leitura. Sua campanha deverá sustentar que essas intervenções representam obras estruturantes capazes de transformar a capital no longo prazo. Também deverá destacar realizações como a revisão do Plano Diretor, investimentos em mobilidade, urbanização e infraestrutura turística. No campo político, Álvaro tende a intensificar sua aproximação com o eleitorado conservador, reforçando a vinculação ao campo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo tendo construído ao longo da carreira um perfil mais pragmático do que ideológico.
Cadu de Lula ou de Fátima?
Já Cadu Xavier entra na disputa carregando o peso de ter comandado a Secretaria Estadual da Fazenda durante o andato da governadora Fátima Bezerra. A oposição deverá associá-lo diretamente às dificuldades fiscais do Estado, explorando especialmente qualquer episódio relacionado às finanças públicas, como eventuais atrasos de pagamentos a fornecedores, funcionários ou retenções de recursos dos municípios ou dos consignados e ainda explorar as restrições orçamentárias que a governadora Fátima Bezerra muito provavelmente terá que fazer neste segundo semestre sob pena de encerrar o mandato no final do ano com atrasos na folha de pessoal e com a imagem pessoal dela comprometida para o futuro.
A resposta da campanha governista deverá apostar na nacionalização da disputa. O candidato deve tentar se desvencilhar da imagem de Cadu de Fátima que a oposição tenta lhe apensar e reforçar a busca pela imagem do Cadu de Lula se apresentando como o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio Grande do Norte, destacando investimentos federais como a Barragem de Oiticica, a transposição do Rio São Francisco, as obras de duplicação da BR-304 e ações financiadas pela União. Também deverá defender avanços promovidos pelo governo estadual, como a recuperação de rodovias e investimentos nas áreas de saúde e educação, ainda que parte desses resultados não seja percebida de forma clara pela população.
Ao longo das primeiras semanas da propaganda, a principal disputa deverá ser justamente pela definição da narrativa dominante da campanha. Mais do que convencer o eleitor com propostas, os candidatos tentarão estabelecer qual imagem ficará associada a cada adversário. Em eleições competitivas, essa batalha é decisiva porque só com o início da propaganda na TV é que o eleitor de fato como a se interessar mais diretamente pela eleição. Saber quem chega fortalecido ao momento em que o eleitor passa a acompanhar diariamente o horário eleitoral gratuito e a consolidar sua decisão de voto é a batalha dos principais candidatos a partir de agora.