A sabatina dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte na FIERN expôs nesta terça-feira (11) uma diferença importante sobre o caminho que o Estado deve seguir para acelerar a economia. Enquanto o setor produtivo cobra um Estado mais eficiente, capaz de reduzir entraves e criar condições para novos investimentos, os três principais candidatos escolheram respostas diferentes para o problema.
Allyson Bezerra (União) foi quem mais diretamente se aproximou da pauta empresarial. Colocou a desburocratização e, principalmente, a mudança no funcionamento do Idema no centro de sua proposta econômica. Prometeu reduzir o tempo dos licenciamentos ambientais e acabar, segundo suas palavras, com “o tempo da espera” e “o tempo do papel”.
A escolha não foi casual. O licenciamento ambiental é um dos pontos de maior atrito entre o setor produtivo e o governo estadual. Empresas reclamam da demora para obter autorizações e enxergam no funcionamento do órgão um dos obstáculos à implantação de novos empreendimentos.
Allyson percebeu esse espaço e transformou o problema em proposta eleitoral para aquele público específico. Disse que pretende manter as exigências ambientais, mas tornar o processo mais rápido. Para o candidato, investimento parado significa emprego e arrecadação que deixam de entrar no Estado.
Álvaro Dias (PL) preferiu uma abordagem mais ampla. Em vez de apontar um único gargalo, defendeu uma reestruturação do Estado precedida por um diagnóstico das contas públicas e pela construção de um pacto econômico e social com poderes públicos, empresários e sociedade.
A proposta tem afinidade com a preocupação do setor produtivo em tornar o Estado mais atrativo, mas ficou menos concreta. Álvaro citou turismo, mineração, petróleo, fruticultura e energias renováveis como áreas capazes de ampliar a atividade econômica e disse que seu governo criaria condições para a iniciativa privada investir.
Cadu de Lula (PT) teve o caminho mais estreito. Como candidato da continuidade do governo Fátima Bezerra, sua estratégia na FIERN foi defender aquilo que considera os resultados positivos da atual administração. E escolheu a segurança pública como principal argumento.
Cadu destacou a contratação de mais de 5 mil profissionais, a integração das polícias e os investimentos em tecnologia. Também defendeu a ampliação do videomonitoramento e da Patrulha Rural.
A defesa faz sentido dentro da estratégia petista. A segurança é uma das áreas em que o governo Fátima consegue apresentar uma melhora objetiva em relação ao cenário encontrado no início da gestão. Cadu tentou transformar esse resultado em argumento econômico ao associar a redução da violência ao turismo e à atração de visitantes.
O problema é que a agenda econômica da FIERN vai além da segurança. O setor produtivo está interessado em saber como o próximo governo pretende enfrentar o ambiente regulatório, as contas públicas, a infraestrutura, a logística e os obstáculos que encarecem ou retardam investimentos.
Nesse terreno, Allyson encontrou uma bandeira mais fácil de comunicar. Prometer que o Estado vai acelerar licenças ambientais é uma resposta direta a uma reclamação antiga dos empresários. Álvaro, por sua vez, apostou na ideia de reorganizar o Estado e construir um pacto com o setor produtivomas sem detalhar como pretende fazer isso.
Cadu, em vez de propor uma ruptura com o modelo administrativo que pretende representar, apresentou os resultados de Fátima como argumento para sua continuidade. Por isso, sua participação teve menos propostas de mudança estrutural e mais defesa do que o atual governo já fez.
Foi essa diferença que a sabatina deixou mais evidente. Allyson falou para quem quer investir e reclama da demora do Estado. Álvaro falou para quem espera uma reorganização das estruturas públicas. Cadu falou para quem precisa acreditar que os avanços obtidos pelo governo Fátima podem continuar.