A ALE Combustíveis, sediada em Natal, é a empresa do Rio Grande do Norte mais bem posicionada entre as maiores companhias do Nordeste. Segundo o anuário Valor 1000, publicado pelo Valor Econômico, a distribuidora ocupa a 7ª colocação no ranking regional e a 94ª posição entre as mil maiores empresas do país, com receita líquida de R$ 15,5 bilhões.
O desempenho reforça o protagonismo da companhia no cenário empresarial nordestino e nacional. Em uma lista dominada por grupos instalados na Bahia, Ceará e Pernambuco, a ALE aparece como a principal representante da economia potiguar, mantendo o Rio Grande do Norte entre os estados presentes no grupo das maiores empresas da região.
O levantamento mostra que apenas duas empresas com sede no RN figuram entre as 50 maiores do Nordeste. Além da ALE, a Guararapes, controladora da Riachuelo, ocupa a 13ª posição regional, com receita líquida de R$ 10,5 bilhões. No ranking nacional, a companhia aparece na 145ª colocação.
Os números também revelam o desafio do estado em ampliar a presença de grandes grupos empresariais. Enquanto a Bahia concentra 16 empresas entre as 50 maiores do Nordeste, o Ceará reúne 12 e Pernambuco outras 11, o Rio Grande do Norte conta com apenas duas representantes na lista.
A ALE registrou crescimento de 13,7% na receita líquida em relação ao levantamento anterior, consolidando sua posição entre os principais grupos econômicos da região. A empresa superou organizações tradicionais dos setores de indústria, varejo e energia e ficou atrás apenas de gigantes nordestinos como Braskem, Equatorial, Suzano, Acelen, Grupo Mateus e Larco.
Embora apenas duas empresas sediadas no Rio Grande do Norte apareçam entre as 50 maiores do Nordeste, a presença do estado no ranking vai além da ALE e da Guararapes. O avanço da atividade energética no RN tem ampliado a participação de grupos com forte atuação local, ainda que mantenham suas sedes administrativas em outros estados. É o caso da Brava Energia, sucessora da 3R Petroleum, que ocupa a 93ª posição entre as maiores empresas do país e se consolidou como a principal operadora privada dos campos terrestres de petróleo potiguares após a saída da Petrobras.
A relevância do Rio Grande do Norte para o setor energético também pode ser observada na presença de grandes grupos nacionais que mantêm operações estratégicas no estado. Líder absoluta do ranking Valor 1000, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 497,5 bilhões e lucro líquido de R$ 110,6 bilhões. Embora tenha reduzido sua presença nos campos terrestres potiguares após o programa de desinvestimentos realizado nos últimos anos, a companhia continua atuando no estado por meio de atividades ligadas à exploração e produção offshore na Bacia Potiguar.
Outro exemplo é a Neoenergia, controladora da Cosern. A empresa aparece com receita líquida de R$ 52,6 bilhões, entre as várias distribuidoras com atuação no Brasil. No Rio Grande do Norte, o grupo responde pela distribuição de energia elétrica por meio da concessionária que atende todo o território estadual.
Já a Equatorial figura na segunda posição entre as maiores empresas do Nordeste, com receita líquida de R$ 52,1 bilhões. Mesmo sem controlar uma distribuidora no Rio Grande do Norte, o grupo integra o conjunto de grandes empresas do setor elétrico que participam da expansão da infraestrutura energética nordestina, em uma região onde o RN se consolidou como protagonista da geração eólica e solar.
Nesse cenário, a presença simultânea de ALE e Guararapes demonstra a força de duas empresas que nasceram no estado e expandiram suas operações para todo o país.