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RN amplia desmatamento

Enquanto o Brasil conseguiu reduzir em 41,3% a área desmatada entre 2022 e 2024, o Rio Grande do Norte seguiu na direção oposta em 2023, quando registrou um salto de 62% no desmatamento da Caatinga, alcançando 9,1 mil hectares devastados. Embora no ano seguinte tenha havido uma redução de 32,9% — caindo para 6,1 mil hectares —, o estado ainda aparece no Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025 como uma das unidades federativas que destoaram da tendência nacional.

O levantamento, elaborado pela Ação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD) em parceria com o Dieese, analisa 43 indicadores sociais, econômicos e ambientais. O retrato que emerge é de avanços limitados: 25 indicadores melhoraram, 8 ficaram estagnados e 3 retrocederam. Mesmo com conquistas em áreas como emprego e meio ambiente, as desigualdades de gênero, raça e região continuam sendo a marca estrutural do país.

Renda cresce, mas desigualdade persiste

O rendimento médio do brasileiro chegou a R$ 3.066 em 2024, alta de 2,9% em relação ao ano anterior. Mas a distância entre grupos permanece abissal: mulheres ganham 73% do rendimento dos homens e mulheres negras, mesmo tendo registrado o maior crescimento, seguem na base da pirâmide, com média de R$ 2.008 — menos da metade do rendimento de homens não negros.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação caiu para 6,6% em 2024, com reduções expressivas para mulheres e pessoas negras. Ainda assim, a desigualdade segue gritante: mulheres negras têm quase o dobro da taxa de desemprego dos homens não negros (9,6% contra 4,6%).

Creches avançam, analfabetismo continua intocado

O percentual de crianças de 0 a 3 anos em creches passou de 30,7% em 2022 para 34,6% em 2024. Já no ensino superior, houve crescimento, mas negros, sobretudo homens, continuam minoria. O lado mais preocupante é a estagnação do analfabetismo funcional, que atinge 29,4% da população de 15 a 64 anos.

Saúde apresenta retrocessos

Na saúde, o relatório aponta retrocessos. A mortalidade infantil voltou a crescer entre 2021 e 2022 e se manteve alta no Norte e Nordeste. A gravidez na adolescência é quase o dobro entre mães negras. E os óbitos por causas evitáveis subiram para 39,2% em 2023, afetando especialmente homens negros e jovens periféricos.

Mulheres ocupam apenas 18% das cadeiras no legislativo

Apesar de avanços tímidos, o Brasil ainda está distante da paridade de gênero e raça na política. Mulheres ocupam apenas 18,2% das cadeiras nos legislativos municipais, e negros, mesmo sendo maioria da população, ainda são sub-representados, sobretudo no Judiciário, onde têm apenas 13,7% das vagas.

Menos homicídios, mais feminicídios

O número de mortes violentas intencionais caiu em 2024, mas os feminicídios seguem crescendo: foram 1.492 vítimas, 63% delas mulheres negras. Além disso, 82% das pessoas mortas em ações policiais eram negras.

Brasil fora do Mapa da Fome, mas insegurança atinge 27 milhões

Embora o Brasil tenha deixado o Mapa da Fome da ONU, 13,5% da população (27 milhões de pessoas) ainda enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave. A situação é pior no Norte, mas afeta desproporcionalmente a população negra em todas as regiões.


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