O Brasil discute um novo leilão de energia que reacendeu a polêmica sobre o uso do carvão mineral.
Mesmo em um cenário de sobra de energia — que obriga até eólicas a desligarem turbinas —, o governo quer contratar usinas de “reserva de capacidade”.
A ideia é ter usinas de prontidão para garantir segurança ao sistema, mas críticos apontam alto custo e impacto ambiental. O ponto mais sensível é a inclusão do carvão, considerado atrasado e ineficiente.
Veja abaixo os principais pontos para entender a disputa. Entenda o que está em jogo:
O que é esse novo leilão de energia?
É um processo em que o governo contrata usinas para garantir que o país terá energia suficiente no futuro. O nome oficial é “Leilão de Reserva de Capacidade”, porque não se trata apenas de comprar energia, mas de pagar para que usinas fiquem de prontidão, caso seja necessário ligá-las em momentos de alta demanda.
Mas o Brasil não já tem energia de sobra?
Sim. Hoje, o país vive um cenário de excesso de energia. Tanto que as usinas eólicas (movidas pelo vento) reclamam que, em vários momentos, precisam desligar seus equipamentos por ordem do governo, o que gera prejuízo. Isso levanta uma dúvida: se está sobrando energia, por que contratar mais reserva?
Por que o governo diz que precisa da reserva?
Porque as fontes renováveis, como sol e vento, variam muito. Às vezes o vento para, às vezes o sol não aparece, e a água dos rios também depende do regime de chuvas. O governo argumenta que precisa ter uma espécie de “seguro de energia” para ligar quando houver risco de falta, mesmo que a maior parte do tempo essas usinas fiquem desligadas.
E onde entra o carvão nessa história?
O edital do leilão prevê a contratação de usinas a gás natural e hidrelétricas. Mas também abriu espaço para usinas a carvão, que são altamente poluentes e caras. Essa inclusão é o que mais gerou polêmica.
Por que o carvão é criticado?
Porque ele vai contra a tendência mundial de redução do uso de combustíveis fósseis. Além disso, especialistas dizem que ele não atende ao objetivo principal da reserva de capacidade, que é oferecer flexibilidade. Uma usina a carvão pode levar horas, ou até um dia, para começar a funcionar. Já o sistema precisa de fontes que liguem e desliguem em poucos segundos ou minutos, como baterias ou hidrelétricas reversíveis.
Quem é contra o carvão?
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A Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Aanace), que reúne grandes indústrias, afirma que o carvão é caro, poluente e ineficiente.
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A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) também critica e defende que o leilão dê prioridade a soluções limpas e rápidas, como baterias, hidrelétricas reversíveis e programas que incentivem empresas a reduzir o consumo em horários de pico.
E quem defende o carvão?
O setor carbonífero, concentrado no Sul do país, diz que não é possível simplesmente fechar usinas e minas sem apresentar planos de “transição justa” para os trabalhadores e comunidades que dependem dessa atividade.
Qual é a posição do governo?
O Ministério de Minas e Energia afirma que o leilão precisa considerar “todos os recursos disponíveis” para garantir a segurança do sistema elétrico, especialmente em momentos de maior oscilação do consumo.