O Brasil registrou, em 2025, um recorde histórico na abertura de pequenos negócios. Foram 4,6 milhões de novos microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte formalizados no País, segundo o Sebrae. O dado reforça o protagonismo do pequeno negócio como principal força de geração de renda, representando cerca de 97% das empresas brasileiras e 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O avanço expressivo evidencia a capacidade de reação do empreendedor brasileiro, mas também expõe desafios estruturais que limitam o potencial de crescimento do setor. Especialistas apontam que grande parte desses negócios nasce em ambiente de alta fragilidade, com dificuldades de acesso ao crédito, taxas pouco compatíveis com a realidade dos empreendedores e entraves à inovação e à digitalização. “É um número expressivo dentro da dinâmica econômica brasileira, especialmente na geração de emprego, renda e participação produtiva. Grande parte desses empreendedores acredita na retomada da economia nos próximos anos, mas é fundamental criar condições que fortaleçam esses negócios, já que muitos nascem em situação de fragilidade”, avalia Ana Claudia Arruda, economista e conselheira do Conselho Federal de Economia (Cofecon).
A ampliação do uso de plataformas digitais, soluções tecnológicas e canais de e-commerce é vista como essencial para elevar a produtividade e a competitividade dos pequenos negócios, especialmente em um mercado cada vez mais integrado ao ambiente digital.
No caso dos microempreendedores individuais, o limite anual de faturamento, fixado em R$ 81 mil desde 2018, tornou-se um dos principais gargalos. Com a inflação acumulada superior a 30% no período, o teto perdeu valor real, reduzindo a margem de crescimento do MEI. Em contrapartida, o valor do imposto mensal acompanha o salário mínimo e teve aumento superior a 50% nos últimos anos, pressionando o orçamento desses empreendedores.
Atualmente, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam atualizar esse limite. Um deles, em análise no Senado Federal, propõe elevar o teto anual para R$ 140 mil. A medida é vista como estratégica para estimular a formalização, reduzir a informalidade e fortalecer a sustentabilidade dos pequenos negócios.
Além da contribuição previdenciária, a formalização por meio do CNPJ amplia o acesso a crédito, aumenta a credibilidade no mercado, permite a emissão de notas fiscais, a participação em licitações e o acesso a serviços financeiros em condições mais favoráveis.