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Segurança pública vira campo de batalha política e coloca ex-aliadas em rota de colisão

Apontada nas pesquisas como uma das principais preocupações dos brasileiros, a segurança pública já dá sinais de que será mesmo um dos temas centrais da campanha deste ano, a ponto de levar duas antigas aliadas em adversárias políticas na busca por uma vaga no Senado.

O embate envolve a senadora Zenaide Maia (PSD) e a presidente estadual do PT, Samanda Alves. As duas estiveram no mesmo palanque nas eleições presidenciais de 2022 e mantiveram alinhamento político durante boa parte do atual governo federal. Nos últimos dias, porém, passaram a trocar críticas públicas depois que Zenaide divulgou um vídeo cobrando respostas mais duras para a criminalidade no país e no Rio Grande do Norte. “Há um problema sério de segurança pública no Brasil e no RN, e eu não vou fingir que não tem”, afirmou a senadora.

A declaração teve forte repercussão porque Zenaide integra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado e historicamente vota alinhada ao Palácio do Planalto. Ao colocar a segurança pública como problema nacional, a parlamentar acabou atingindo também o governo estadual e ampliou a fissura política no grupo que apoiou a reeleição de Fátima Bezerra.

A reação do PT veio rapidamente. Samanda Alves acusou a senadora de mudar o discurso conforme o ambiente eleitoral e insinuou afastamento político oportunista. O episódio consolidou um cenário que já vinha sendo desenhado nos bastidores. Com a aproximação de 2026, antigos aliados começam a disputar espaços distintos no eleitorado potiguar e a segurança pública aparece como o terreno mais sensível dessa disputa.

O tema ganhou força porque mistura duas percepções diferentes do eleitorado. De um lado, o governo Fátima sustenta que o Rio Grande do Norte vive hoje seu melhor momento estatístico na área da segurança desde o início da série histórica recente. O Estado registrou queda consistente nos índices de homicídios e reduziu drasticamente os números de mortes violentas em comparação com o período das grandes crises de facções e ataques criminosos que marcaram anos anteriores, que Samanda joga no colo do ex-governador Robinson Faria, hoje deputado federal e apoiador de Zenaide.

Do outro lado, adversários do governo insistem que a sensação de insegurança continua elevada e exploram politicamente episódios de violência urbana, roubos e atuação do crime organizado. A oposição aposta que segurança pública terá peso emocional maior do que indicadores técnicos durante a campanha.

Esse contraste deve moldar a narrativa eleitoral no estado. O PT pretende apresentar a redução dos homicídios como resultado de reorganização administrativa, investimentos nas forças policiais e integração das ações de inteligência. O nome apoiado pela governadora, o secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier, deverá herdar esse discurso técnico.

Já os grupos de oposição trabalham outra linha. O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, o prefeito de Mossoró Allyson Bezerra e lideranças conservadoras como General Girão têm explorado o tema como símbolo de desgaste administrativo e fadiga política do grupo governista após dois mandatos consecutivos.

O debate no Rio Grande do Norte acompanha um movimento mais amplo no Nordeste. Estados governados pelo PT, como Bahia e Ceará, convivem com forte pressão oposicionista na área da segurança pública. A diferença potiguar é justamente o paradoxo político criado pelos números. Enquanto os dados oficiais apontam melhora relevante nos indicadores criminais, o tema continua produzindo desgaste político com episódios que ganham grande repercussão na mídia como a série de assassinatos registrados este em Mossoró.

A disputa tornou-se também simbólica, emocional e diretamente ligada à tentativa de cada grupo de ocupar o espaço do eleitor moderado que aprova avanços na segurança, mas ainda mantém percepção de vulnerabilidade no cotidiano.


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