A conta reúne três projetos de grande porte. O Hospital Municipal de Natal, iniciado na gestão de Álvaro Dias, mas ainda sem funcionar, foi planejado para ter 266 leitos. O Hospital Metropolitano prometido pela governdora Fátima Bezerra desde a campanha passada, está sendo construído pelo governo estadual em Parnamirim, e terá outros 350 leitos. Agora, Álvaro adicionou à campanha a proposta do chamado "Novo Walfredo", uma ampliação do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel com mais 200 leitos e nove centros cirúrgicos, a ser financiado com recursos prometidos pelo senador Styvenson Valentim.
O volume de vagas impressiona. O Hospital Municipal consumiu investimentos estimados entre R$ 144 milhões e R$ 160 milhões e foi projetado para funcionar em sete pavimentos, com 266 leitos, incluindo 40 UTIs. Apesar da inauguração da primeira etapa que tem 100 leitos, ainda não funciona e a secretaria municipal de Saúde promete colocar em operação antes das eleições para isso está treinando o pessoal que irá trabalhar lá.
O argumento de Álvaro quando lançou a ideia desse hospital era justamente desafogar o Walfredo Gurgel. Mesma promessa de Fátima em 2022 com a ideia de que o novo hospital irá absorver parte da demanda de trauma e alta complexidade.
Enquanto isso, o candidato Allyson Bezerra segue por outro caminho. Embora destaque o hospital construído em Mossoró durante sua gestão e frequentemente cite resultados obtidos na realização de cirurgias, sua proposta para o governo não prevê grandes hospitais novos. O foco está na reorganização da rede existente, fortalecimento dos hospitais regionais, ampliação de UTIs, exames especializados no interior e um mutirão para reduzir a fila de quase 20 mil cirurgias eletivas.
Já o candidato Cadu Xavier aposta no aumento dos investimentos estaduais em saúde. A promessa é elevar os gastos do setor do mínimo constitucional de 12% da receita que vem sendo cumprido nos últimos oito anos do governo petista para algo entre 15% e 16%.
Uma proposta ambiciosa. Não falta responder: de onde virá o dinheiro?
Num orçamento estadual que já enfrenta limitações fiscais, elevar em quatro pontos percentuais a participação da saúde significa direcionar centenas de milhões de reais adicionais para o setor ao longo dos anos. O discurso aponta para mais consultas, mais exames, telemedicina, mutirões e ampliação da estrutura hospitalar. O que ainda não apareceu é uma explicação detalhada sobre quais áreas perderiam recursos ou quais novas receitas compensariam esse aumento.
Todos prometem resolver os problemas. Mas existe uma diferença entre construir hospitais e mantê-los abertos.
Levantando paredes, a conta já passa facilmente dos R$ 500 milhões apenas nos projetos anunciados para a Grande Natal. O desafio seguinte será ainda maior: equipar os hospitais, contratar profissionais, manter escalas médicas, comprar medicamentos e pagar a conta mensal de funcionamento.
Porque hospital não funciona com concreto. E essa parte da campanha ainda não foi explicada pelos candidatos.